Estudantes, professores, funcionários e pais de alunos da Escola Municipal de Educação Fundamental (Emef) Nacilda de Campos, no Jardim TV, iniciaram ontem uma ação positiva e educativa que serve de exemplo para conscientizar os infratores sobre os danos que as pichações causam, seja em prédios públicos ou privados. Eles arregaçaram as mangas e partiram para a prática. Com isso, a escola ganhou novo layout a partir de um projeto de recuperação após ser pichada.
Uma verdadeira transformação foi feita na escola. Paredes pintadas, danos consertados, grama podada, horta recuperada e muita energia e conscientização por parte dos estudantes. O movimento, que teve início na manhã de ontem com uma passeata no bairro, entrega de panfletos confeccionados pelos próprios alunos e um abraço simbólico no estabelecimento, pode ser a medida exata para a conscientização.
A diretora da Emef, Valéria Ferreira De Luca, acredita na mudança de comportamento. “A partir do momento em que eles pintam, eles cuidam. É um processo, uma atitude concreta que acreditamos que vai desfazer o negativo e trazer o positivo. Eu penso que a comunidade, a família, têm um sentimento pela escola. Eles querem preservar o ambiente onde estão seus filhos. Isso é muito positivo.”
A experiência inédita foi motivada por uma pichação feita na escola no mês passado, segundo explica a diretora. “Há um mês, a escola toda foi pichada. Um grupo de mães indignadas com a situação promoveu reuniões e elas decidiram em conjunto o que fazer. Foi a primeira vez que a escola sofreu com esse tipo de vandalismo desde 2002, quando foi instalada”, lamenta a diretora.
A ação conjunta só foi possível porque a atitude partiu dos alunos. Segundo Valéria, eles buscaram as doações de tintas e todo o material utilizado no trabalho. “O interesse em participar do projeto foi tão grande que dividimos o trabalho em duas frentes: a do período da manhã e a da tarde. Mais de 200 pessoas participaram, de um total de 500 alunos”, comemora a diretora.
“A escola é nossa”
Para a mãe de um aluno da Emef, Ana Estela Almeida Fernandes, 41 anos, é hora de conscientizar pais e estudantes de que a escola é da comunidade. “Nós tivemos um problema de pichação. Então decidimos por uma campanha junto à comunidade, que colaborou com a tinta e materiais para pintura. Estamos aqui para conscientizar a comunidade de que a escola é nossa, não é do governo. Nós é que temos que cuidar e mostrar para os nossos filhos que a escola é um lugar bom. Precisamos transformar a escola num ambiente agradável e bom de freqüentar.”
Para o aluno Rodolfo Maxwell Pereira, 14 anos, trabalhar na recuperação da imagem da escola que ele freqüenta para cursar a 6ª série foi uma experiência nova. “Alguém pichou e nós queremos a nossa escola bonita”, diz o estudante.