09 de julho de 2026
Geral

Desmatamento eleva temperatura em 1,5ºC na região da Unesp

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Um estudo feito pelo meteorologista José Carlos Figueiredo, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), mostrou que o desmatamento ocorrido entre 1998 e 2006 nas imediações da Universidade Estadual Paulista (Unesp) aumentou a temperatura naquela região em até 1,5 grau.

“Nos dados apresentados neste levantamento evidencia-se um aumento nas temperaturas extremas (mínimas e máximas), nos meses de junho, julho e agosto, de 1998 a 2006, sendo o aumento mais significativo e evidente nas temperaturas máximas, com cerca de 1,5ºC”, conclui Figueiredo.

Segundo ele, a anomalia calculada para a temperatura máxima parte de um pequeno aumento no ano de 1998, coincidindo com as construções imobiliárias efetivadas na região do câmpus universitário. “A mudança da paisagem na vegetação natural, outrora existente, foi facilmente sensibilizada pelas estações meteorológicas instaladas no IPMet”, afirma.

A curva da tendência de aquecimento inicia no ano de 1998, partindo de uma variação média de 0,3º C, atingindo o máximo em 2006, de cerca de 1,5º C. De acordo com o estudo, o aumento passou a ser contínuo a partir de 2000.

Para o meteorologista, o aumento da temperatura foi um reflexo direto do desmatamento e da construção de um condomínio residencial e de um bairro na frente da Unesp. “Quanto mais mexer (desmatar), mais vai afetar”, alerta Figueiredo. Segundo ele, isso ocorre porque não se faz a reposição daquilo que foi derrubado.

O biólogo Jonas Rangel, do Instituto Ambiental Vidágua, explica que a mata funciona como um regulador da temperatura. É uma espécie de ar-condicionado natural, que deixa o ambiente mais ameno, e explica como isso ocorre. “Apesar de ser uma área relativamente pequena, ela tem uma grande importância na regulação da temperatura. Ao invés do sol bater no asfalto, ele bate na folha e não aquece o solo.”

O reflexo é sentido também na umidade relativa do ar. As árvores, segundo o biólogo, retiram a umidade do solo e lançam no ar. “O benefício é tanto térmico quanto na qualidade do ar”, comenta.

____________________

Paisagismo

Além de interferir na qualidade do ar e na regulação da temperatura, a vegetação tem sua importância também no aspecto paisagístico da região. A avaliação é do professor de biologia Osmar Cavassan. “A preservação da mata proporciona uma temperatura agradável para a região onde ela está situada e, além disso, paisagisticamente causa bem-estar”, argumenta.

Como biólogo, Cavassan é da opinião de que mais nenhum fragmento de mata deveria ser desmatado em Bauru em função do pouco que ainda resta. Segundo ele, a derrubada de uma árvore faz falta. Mas se o desmatamento for inevitável, que se derrube o menos possível. “Reduzir a vegetação em 20% é melhor do que reduzir 50%. Mas do ponto de vista ecológico, o ideal é não mexer em nada. Quanto menos alterar, melhor.”

O professor lembra que um fragmento de vegetação, como a floresta urbana do Parque Água Comprida, estabelece uma série de relações com o meio que justifica a preocupação com a sua preservação. Segundo ele, a mata preserva o solo protegendo, assim, as nascentes associadas ao córrego Água Comprida.

Além disso, permite a retenção e a infiltração de água da chuva. Ao invés de escoar pela superfície, a água é absorvida e esse processo serve como um mecanismo de recarga dos lençóis subterrâneos. A preservação permite ainda um habitat para a fauna da região, em especial para as aves, alguns répteis e pequenos mamíferos. Possibilita também o controle populacional de insetos, que em grande quantidade incomoda os moradores. “A supressão da vegetação vai fazer com que todas essas relações deixem de existir”, aponta Cavassan.