10 de julho de 2026
Bairros

País aposta em veículos menos poluentes

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

Para quem não consegue deixar o carro na garagem ou não tem como dispensá-lo do seu cotidiano, mas se preocupa com a conservação do meio ambiente, Otávio Augusto Borin, aluno do 5º ano do curso de engenharia mecânica da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, avisa que a dica é manter o carro regulado. De acordo com ele, todos os combustíveis são poluentes, já que resultam na grande liberação de monóxido e dióxido de carbono na atmosfera, mas a diferença está em quanto o fazem.

Já a queima do álcool emite menos gases poluentes na atmosfera, pelo fato de ser derivado da fermentação da cana-de-açúcar. Por essa razão, esse combustível produz, em média, 25% menos monóxido de carbono e 35% menos óxido de nitrogênio (NO) que a gasolina. Já o diesel se tornou o grande vilão no trânsito, mais até que a gasolina, por liberar também durante a sua queima enxofre.

De todos os combustíveis utilizados atualmente, o Gás Natural Veicular (GNV) é considerado o mais limpo, por isso vem sendo tratado como o combustível do futuro. Outro produto que ganha espaço no mercado, principalmente no europeu e norte-americano, é a energia elétrica e solar, que dentro de algum tempo deverá tomar o título de menos poluente do GNV.

Borin lembra que, de algum tempo para cá, a maior parte da montadoras passou a se preocupar em reduzir ao máximo a poluição emitidas por seus motores, razão pelo que tem investido cada vez mais em alta tecnologia. Os novos carros, por exemplo, trazem um importante aliado para o meio ambiente: os catalisadores, que em geral servem para diminuir a emissão de gases potencialmente poluentes. Esse equipamento consiste em uma substância ou material que atua numa reação ou processo químico, alterando sua velocidade, seja de forma positiva ou negativa.

O catalisador é imprescindível para garantir o bom funcionamento do veículo e contribuir para a preservação do meio ambiente. Apesar disso, passou a equipar os carros somente em meados da década de 70, para atender as primeiras exigências das leis de emissão de poluentes. Hoje, o catalisador tem maior durabilidade, com uma conversão de mais de 98% dos gases poluentes e é projetado para ter a mesma vida útil do carro.

De acordo com matéria divulgada recentemente pelo jornal “O Estado de São Paulo”, a tecnologia Flex Fuel (dois combustíveis), que chegou ao mercado há cerca de cinco anos, foi responsável por evitar que 42,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) fossem emitidas e lançadas para atmosfera. Isso ocorre porque os veículos flex permitem que o proprietário deixe de abastecer seu veículo com gasolina e passe a utilizar o álcool sem perda de rendimento do motor.

Não existe nenhum cálculo que aponte o quanto apenas o trânsito de Bauru “colabora” para a poluição da atmosfera, mas a contribuição não deve ser pequena. Isso porque, dos cerca de 177 mil veículos registrados em Bauru pelo Departamento de Transito (Detran), cerca de 15%, ou seja, quase 25 mil veículos, são movidos a diesel (ônibus, caminhão, caminhonete e outros). Os demais se dividem entre álcool, gasolina, GNV ou utilizam a tecnologia Flex.

____________________

Essencialmente urbana

Elas não poluem, são silenciosas e ainda possuem um desenho atual. As scooters elétricas de tecnologia chinesa já estão pelas ruas de Bauru. De acordo com Márcio Sacuma, proprietário da concessionária instalada na cidade há cerca de quatro meses, a aceitação pelo produto tem sido satisfatória. Nesse período, foram comercializadas cerca de 20 motocicletas, a maior parte para municípios da região. “Aqui na cidade o trânsito não ajuda e existe um certo preconceito das pessoas”, acredita.

As motos elétricas podem ser recarregadas na tomada de casa. Sacuma explica que em aproximadamente duas horas 80% da bateria está recarregada. A carga completa garante autonomia de até 40 quilômetros.

A velocidade desenvolvida pela scooter é de 50 quilômetros por hora (km/h) e é considerada baixa em relação às tradicionais motos 125 cilindradas, que dominam o mercado e chegam a atingir até 160 km/h. “Devido à sua velocidade, ela é um produto essencialmente urbano. Sua velocidade não permite que ela transite por rodovias onde a velocidade mínima para motos é de 55km/h”, explica Sacuma.

Se a velocidade não ajuda, o consumo é um grande aliado das motos elétricas. Para carregar a bateria, gasta-se R$ 0,50 de energia, valor que permite ao usuário andar 40 quilômetros. Se for comparado ao preço pago por um litro de gasolina, a moto elétrica pode ser carregada cerca de cinco vezes e percorrer, em média, 250 quilômetros. Outro diferencial da moto é o barulho ou, melhor, a falta dele. O usuário só percebe que a motoneta está ligada pela luz do painel.

Como qualquer veículo automotor, a moto elétrica só pode ser conduzida por motorista habilitado na categoria A. De acordo com Sacuma, as motos elétricas estão em constante transformação. “Em breve haverá postos de recarga para esse tipo de veículo espalhados pelas cidades e o proprietário poderá, inclusive, recarregar a bateria com a compra de um simples cartão”, avisa. Outra transformação que já está chegando ao mercado são as scooter mais leves, o que facilita seus deslocamento de um lugar para o outro.