11 de julho de 2026
Regional

Medição individual de água será adotada por residencial

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 4 min

Obrigatória nos grandes centros, a medição individual de água pode gerar economia entre 10% e 30% nas despesas mensais dos edifícios. Apesar de não haver lei que exija a instalação da nova tecnologia em Bauru, condomínios novos e antigos estudam a viabilidade de tornar a conta de água mais justa ao implantar o sistema em que cada família pague somente pelo que consumir, como acontece na cobrança de energia e de gás.

Estudos comprovam que o consumo de água em edifícios que não utilizam o hidrômetro individual chega a ser duas vezes superior se comparado aos locais que adotaram o sistema. Diante dessa situação, a tecnologia é uma forma de evitar o desperdício do recurso natural. Segundo a revista britânica “British Medical Journal”, se até 2032 não forem tomadas medidas urgentes, mais da metade da população mundial será atingida pela falta de água, com sérias conseqüências para a saúde.

No Interior do Estado de São Paulo, o consumo individual de água varia entre 250 litros e 300 litros por dia, enquanto o ideal é 120 litros. Visando a economia do recurso natural e a conta mais justa, a Residec Construtora saiu na frente e lançou o Supremo Residencial, o primeiro edifício com medição de água individual de Bauru.

De acordo com Rodrigo Riad, arquiteto da Residec Construtora, o sistema computadorizado implantado no Supremo Residencial utiliza a medição por radiofreqüência e por meio do hidrômetro transmite um sinal que é captado por uma antena e retransmitido a um terminal. Toda a informação é processada por um software e os relatórios podem ser enviados para a administradora, para o condomínio, diretamente ao morador ou ainda para todos.

Por meio do hidrômetro individual é feito o controle sobre o consumo de água do condomínio e subtraído o consumo dos apartamentos para o cálculo sobre o uso de água nas áreas comuns. “Com essa tecnologia é possível realizar a medição sem a necessidade de uma pessoa presente no lugar, ela precisa apenas chegar perto do prédio”, explica. “O Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE) fará a leitura por um medidor único e a administradora do condomínio enviará as contas individuais. Tudo isso será lançado junto ao projeto hidráulico do prédio e o proprietário não precisará pagar nada a mais pelo serviço depois da entrega do apartamento”, acrescenta Riad.

Além disso, com esse sistema o morador pode acessar a leitura do seu medidor pela Internet. Fernando Marques, sócio-proprietário da Hidrotec Individualizações, empresa especializada na comercialização de hidrômetros, conta que apenas na Capital paulista existem mais de 23 mil pontos individualizados que utilizam o sistema de rádio freqüência. “Hoje, é o modo mais seguro de medição de condomínios, pois a leitura é feita à distância. No sistema mais simples, o sinal pode ser recebido em até 500 metros de distância em ótimas condições”, afirma.

O medidor individual dispensa a instalação de cabos e de uma central de computadores no condomínio. Além disso, possibilita detectar problemas de vazamentos. Isso acontece quando o consumo de um apartamento fica muito acima da média constatada pelo medidor. “Queremos tornar o sistema mais justo, além de preservar o meio ambiente. Não adianta eu fazer economia e meu vizinho dobrar o uso de água. Queremos criar a cultura de economia e a mudança de atitude das pessoas”, revela Riad. “É engraçado, mas é incrível a economia registrada pelos condomínios que aderiram ao sistema. Quando as famílias começam a sentir no bolso, o comportamento muda”, complementa.

Além disso, a economia se repete no gasto de energia, pois os edifícios possuem duas caixas d’água, uma superior e outra inferior. Para bombear a água para a caixa superior gasta-se energia. “Conseqüentemente, quanto menos bombeamento for feito, menos energia será gasta”, explica o arquiteto.

Apesar da tecnologia adotada pelo Supremo Residencial, Sérgio Henrique Petrillo, sócio-proprietário da Hidrotec Individualizações, explica que a medição individualizada não precisa necessariamente utilizar a tecnologia computadorizada. “A medição pode ser feita do modo convencional, com um profissional no próprio edifício”, afirma.

A previsão de entrega do Supremo Residencial é de 42 meses. Marques afirma que a tecnologia, divulgada em Bauru desde no último mês de abril, também tem atraído os edifícios residenciais mais antigos da cidade.