Interrupção por mais de 15 minutos, invasão de campo e decisão nos pênaltis foi o que ocorreu, ontem de manhã, na conquista do penta - o terceiro consecutivo - pelo Parquinho ao sagrar-se campeão do 11º campeonato da Liga Regional de Futebol de Bauru ao vencer o Geisel/Odeon, no estádio Sílvio Magalhães Padilha na Vila Giunta. No tempo regulamentar a partida terminou 1 a 1, mas o Parquinho ganhou no pênaltis por 3 a 1 do azul e branco, o time sensação que chegou a final pela segunda vez consecutiva e deu muito trabalho para ser batido em campo. No domingo passado, na primeira partida da decisão os dois empataram 2 a 2.
Até ontem, o Parquinho era bicampeão sucessivo, ambos contra o Redentor, tendo conquistado também o bi em 2002/03, respectivamente, contra Cruzeiro e Nacional. Ao conseguir o penta, se igualou ao Fortaleza, que soma cinco conquistas seguidas: 1960/61/62/63/64 pela Liga Bauruense de Futebol Amador. Se somados os campeonatos das duas entidades (Ligas Bauruense e Regional), Parquinho é o maior vencedor de títulos do futebol amador de Bauru. Já acumula 14, contra 8 do Noroeste e 7 do Fortaleza.
Em campo nos 90 minutos, os dois times se equilibraram. O “novato” Geisel, originário de uma dissidência do Araruna, adotou um esquema forte de marcação no 4-5-1. Teve ligeira supremacia nos chutes ao gol nos 30 minutos iniciais.
A partida foi truncada no meio-de-campo, com dificuldades dos atacantes conseguirem construir as jogadas dentro da área adversária. Nos minutos iniciais, Fábio Bocão (Parquinho) lançou Fio que não conseguiu arrematar, a bola passou por cima do gol de Binho.
O Geisel respondeu aos 10 com Neovalter que chutou um sem pulo desajeitado pegando no meio da canela, sem ameaçar a meta do goleiro César Palito. O número 4 do azul e branco ainda deu um chute forte rasteiro, que obrigou César Palito a fazer a defesa, apesar da irregularidade do campo que dificultou ao arqueiro do Parquinho segurar a bola. No intervalo, o goleiro César Palito admitiu que os quatro chutes desferidos o deixou preocupado, devido ao gramado ruim do “Padilhão”.
Ainda aos 13 minutos, o auxiliar Mauricio Dias dos Santos marcou uma reversão que gerou chiadeira no banco do Geisel. A bola chegou a entrar nas redes do Parquinho, a torcida comemorou, mas o lance foi invalidado para decepção do técnico Binão, que resmungou com o árbitro Paulo Henrique.
O azul e branco não se intimidou e foi para cima do Parquinho. Edinho desferiu um chute forte que forçou César Palito a evitar a bola traiçoeira que quase abriu o placar para o Geisel. Aos 20 minutos foi a vez de Fábio Bocão (Parquinho) chutar forte e obrigar Binho a defender pela linha de fundo. Foi o segundo chute ao gol. Até aos 30 minutos, o Geisel deu quatro chutes efetivos ao gol contra dois do Parquinho.
Tiquinho, do Geisel, recebeu uma falta. Edinho cruzou na área, mas o arqueiro César Palito estava atento para evitar que fosse marcado o primeiro gol do azul e branco. Já no final da primeira etapa, Fio chutou cruzado, mas a bola rebateu na defesa, no lance mais perigoso que poderia ter aberto a contagem. O primeiro tempo terminou equilibrado, com o jogo fechado na defesa e com muitos chutes de fora da área.
Esquentou o clima
Na etapa complementar, Tiquinho (Geisel) chutou forte, mas a defesa adversária conseguiu espalmar para o escanteio. Dois minutos depois, a partida começou a ficar num clima nervoso. Nescau (Parquinho) fez falta em Edinho (Geisel) e levou amarelo. Ele ainda receberia uma bola na esquerda, mas chutou por cima do travessão, perdendo de abrir o placar para o vermelho e preto.
A jogada que originou o primeiro gol saiu em lance de bola parada. Bia parou uma jogada com falta a dois passos da grande área no lado esquerdo da defesa do Geisel. Fábio Bocão bateu rasteiro, colocado, no vão da barreira e no canto esquerdo do goleiro Binho. A bola morreu nas redes. O Parquinho saiu na frente: 1 a 0.
O técnico do Geisel colocou Lambari no lugar de Bia para deixar mais ofensivo. Mas uma confusão vai se formar num lance de falta de Bibe aos 36 minutos. Ele é expulso, mas o banco de reserva do Geisel reclama de dois lances anteriores de que o árbitro fez vistas grossas para jogadas violentas de Nescau e Pinduca, que estavam pendurados com amarelo.
O árbitro, ao expulsar o jogador do Geisel, provocou a ira do técnico Binão, diretores e do banco de reserva. Eles invadiram o gramado e se iniciou o empurra-empurra em cima do árbitro Paulo Henrique de Almeida, que necessitou do apoio do policiamento. A partida ficou interrompida. Os policias da cavalaria entraram no gramado e apaziguaram os ânimos exaltados do banco de reserva do Geisel. O jogo ficou 15 minutos interrompido até o árbitro expulsar Binão (técnico), Nelsinho (auxiliar técnico) e Caio. A paralisação foi aos 36 minutos da etapa complementar.
O jogo ganhou outro ritmo ao ser retomada. Com a vantagem no marcador, o Parquinho passou a jogar mais fechado no contra-ataques, porém o time ficou mais lento, como a partida já estivesse ganha. Kita sacou o habilidoso Lolô para colocar em campo Rogério Anastácio, que não estava com boas condições físicas.
Apesar de toda experiência, os jogadores do Parquinho chegaram a ficar nervosos e reclamando com seus jogadores após a interrupção. Do banco, o técnico Kita pediu tranqüilidade a seus comandados. A confusão esfriou o time do Parquinho, mas o time do Geisel, com um a menos em campo, voltou com mais garra e não se desestablizou emocionalmente.
O empate saiu aos 62 minutos num lançamento no segundo pau na grande área de Cicinho (ex-jogador profissional que já jogou no Santos) a Neovalter, que escorou de cabeça, desviando para as redes do goleiro César Palito. Juliano se posicionou bem na segunda trave, tirando a defesa da marcação e deixando o número 4 do azul e branco cabecear e empatar a partida. A torcida do Geisel foi ao delírio, mais depois de 4 minutos de acréscimos, o jogo foi para a disputa de pênaltis.
Depois de Rogério (Parquinho) e Wudson (Geisel) converterem os primeiros pênaltis, Cicinho (Geisel) chutou no travessão, deixando a vantagem para o vermelho e preto. Fábio Bocão e Antonio Carlos, ambos Parquinho, marcaram os dois últimos gols. Para azar do Geisel, Neovalter (que tinha sido o herói do time ao marcar o gol de empate) não converteu o pênalti. Parquinho campeão.
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Ficha Técnica
Parquinho César Palito; Pinduca, Frizão e Nescau (Trezegue); Du (Carraro), Lolô (Rogério Anastácio) e Fábio Bocão; Fio (Fabinho Ibitinga) e Fabinho Bauru (Ricardo Canela)
Geisel Binho; Wudson, Michel, Neovalter e Juliano; Cicinho, Bia (Lambari) e Edinho (Emerson); Bozó, Samuel (Bibe) e Tiquinho (Cilinho)
Gols Fábio Bocão (Parquinho) aos 26 e Neovalter (Geisel) aos 62 minutos do 2º tempo
Árbitro Paulo Henrique de Almeida