10 de julho de 2026
Geral

Saúde atende 2 mil casos de depressão

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 4 min

Desde 2006, o índice de pessoas vítimas de depressão cresce em Bauru, de acordo com informações da Secretaria Municipal da Saúde. Em contrapartida, o número de profissionais é insuficiente para atender toda a demanda. No Ambulatório Municipal de Saúde Mental, por exemplo, não há vagas para novos atendimentos e os pacientes são encaminhados para as unidades do Centro de Apoio Psicossocial (Caps).

De acordo com dados da secretaria, apenas a rede municipal atende cerca de 2 mil pessoas em tratamento contra depressão. No Ambulatório, 375 atendimentos são realizados mensalmente com portadores da doença em estado avançado. “De uns anos para cá, a depressão passou a ser um problema de saúde pública”, revela Maria Aparecida Martins, psicóloga.

Atualmente, a depressão ocupa o quarto lugar no ranking das causas globais de incapacidade. Para profissionais, a questão ambiental, que inclui fatores econômicos, traumas, perdas, entre outros, tem grande influência nos casos da doença. “O fato sobrevivência está ligado à depressão e é ameaçador. A primeira necessidade da pessoa é saciar essas questões de emprego, segurança, família, e se isso não acontece, ela se sente ameaçada”, explica Maudeli de Cássia Ferreira, chefe do Ambulatório Municipal de Saúde Mental. “Se há falha nesta busca, a pessoa fica vulnerável, fato que pode desencadear a depressão”, acrescenta.

Todas as idades

Segundo Maudeli, a depressão atinge pessoas de todas as idades e ambos os sexos e o sentimento predominante é de tristeza e melancolia, além da sensação de angústia, aperto no peito, ansiedade, desânimo e choro fácil. O estado psicológico acaba por comprometer o sono, o apetite e a disposição física. No Ambulatório de Saúde Mental, as mulheres entre 30 e 60 anos são maioria entre os pacientes que recebem tratamento e os principais casos são de transtorno depressivo, transtorno de ansiedade e depressão decorrente - quando a doença passa a fazer parte da vida da pessoa, com idas e vindas.

“A doença tem cura e, se tratada desde o início, não precisa de medicamentos. A sociedade precisa entender que a depressão é uma doença séria e pode levar à morte. Muitas vezes não é exposto pela mídia, mas nós profissionais vemos que houve um aumento nas tentativas de suicídio e isso preocupa”, explica Maria Aparecida. “Todos nós temos dias tristes e alegres, mas é preciso atenção quando o sentimento de tristeza passa a prejudicar a qualidade de vida”, complementa.

No caso da depressão na infância, geralmente as vítimas têm pais que já sofreram com a doença ou vivem em famílias que estão com problemas na questão da sobrevivência. “As crianças são parte daquele ambiente, e por conseqüência, desencadeiam a depressão. Muitas vezes possuem pai desempregado, alcoólatra, e isso influencia no desenvolvimento”, afirma.

Além disso, os sintomas da depressão podem ser desencadeados pelo uso de medicamentos ou de drogas, pela abstinência das mesmas substâncias e até por outras doenças. De acordo com Rosane Bertoloni Segifredo, psicóloga, a depressão é a doença das emoções. Por isso, as pessoas precisam aprender a administrar seus sentimentos racionalmente. “E nestes casos, o apoio e a compreensão da família são fundamentais. Só quem passa por uma depressão sabe a gravidade e a dificuldade de lutar contra a doença”, revela.

____________________

Solução

Segundo Maudeli de Cássia Ferreira, chefe do Ambulatório Municipal de Saúde Mental, antigamente as pessoas sentavam nas calçadas, conversavam com a família, com os vizinhos e levavam uma vida menos agitada. “Essa conversa, essa interação era uma terapia, mas ninguém sabia”, afirma.

“Era tão eficiente que isso está voltando com o nome de Terapia Comunitária. A saúde municipal tem um grupo fazendo um curso sobre o assunto e algumas Unidades Básicas de Saúde estão implantando essa atividade”, complementa.

Mais uma vez, a prevenção é o melhor remédio. “As pessoas precisam buscar qualidade de vida. É preciso discutir os problemas, não remoê-los. Além disso, é fundamental incluir nas atividades diárias uma atividade física”, afirma. “Também é importante ter um tempo para fazer o que gosta. Tem um paciente que sofria de depressão, ansiedade e era obeso. Após um tempo de tratamento, ele virou outra pessoa e quando perguntamos qual era o segredo da mudança, ele disse que era a dança de salão”, acrescenta.

Outro ponto importante é ter flexibilidade. “A gente percebe que as pessoas com depressão são rígidas, perfeccionistas, críticas e muitas vezes têm a auto-estima baixa. Por isso, é preciso falar, mudar os pensamentos”, finaliza Gisele Maria Sanches, psicóloga.