10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Português de fato. Ou será de terno?


| Tempo de leitura: 1 min

Com mais de duzentos milhões de falantes em todo o mundo, no Ocidente, o português é uma das línguas mais faladas, contudo, sua projeção internacional é pequena. Para complicar sua situação ainda mais, o idioma conta com duas normas ortográficas: a Brasileira e a Portuguesa, esta que é seguida também pelos demais países lusófonos. Para resolver essa realidade bizarra, em 1990 assinou-se um acordo ortográfico que unificaria a ortografia desses países. Depois de vários anos estagnado, finalmente ele foi ratificado pelos dois principais países de língua portuguesa: Brasil e Portugal, além de outros, e uma data para sua aplicação foi estipulada. Como se percebe, a função do acordo não é simplificar o idioma, como muitos apregoam, mesmo porque ele não o faz, mas, sim, embutir-lhe uma regência gráfica única nos vários países que o falam, sem, no entanto, oprimir-lhe as regionalidades. Pensar que os acordantes se iludem com um falar unificado é pueril. É sabido por todos que um acordo não fará com que brasileiros digam “rapariga” e abandonem a próclise “obrigatória” no vernáculo oral, nem evitará que os portugueses chamem ternos de “fatos” e salva-vidas de “banheiros”. Ademais, não é o fim do trema, que em Portugal não se evidencia há tempos, que simplificará a escrita - alguns acreditam que, ao contrário, complicá-la-á. O acordo é de caráter político e visa projetar a língua no mundo; o resto é ilusão. E isso é errado? Não! Fortalecer o idioma e unificar-lhe a grafia, à medida do possível, são tarefas honráveis e devem ser respeitadas. Quanto ao sucesso do acordo, qualquer afirmação a respeito seria especulação, resta-nos, pois, esperar pelo seu triunfo: descomplicar a situação internacional do idioma, promovendo-o, inclusive em seus próprios países. Que seja bem sucedido de fato - ou sem!

Caio César Paccola Jacon