Um antigo casarão, localizado no Centro de Bauru, ganha vida e cor novamente. Fechada há 14 anos, a construção, antigamente ocupada pela Justiça Federal do Trabalho, está sendo recuperada pela Prefeitura Municipal e transformada no “Espaço Contemporâneo de Artes Visuais”.
Cursos, exposições, workshops e palestras são algumas das atividades que passarão a ocupar o local, na esquina das ruas Antônio Alves e Ezequiel Ramos, além dos trabalhos de artes plásticas pertencentes ao acervo municipal. A inauguração está prevista para o dia 22 de dezembro.
“Além das atividades, a idéia é abrir para os artistas plásticos produzirem seus trabalhos e fazer do espaço uma espécie de ateliê livre”, adianta José Augusto Vinagre, secretário municipal de Cultura. Os jardins do prédio também serão recuperados e o casarão terá, ainda, um café temático. “O objetivo é que o local transforme-se, realmente, em um ponto de encontro dos artistas”, completa.
Outro atrativo guardado pelo casarão, construído em 1938 por Alfredo Fígaro, são afrescos que ilustram a maioria de seus cômodos. Encobertas por camadas de tinta, as pinturas surpreenderam a equipe da prefeitura, no começo da reforma, iniciada há uma semana. Artistas e historiadores estão trabalhando na recuperação dos desenhos, removendo a tinta, em um processo chamado de decapagem.
Trabalho minucioso e lento, a decapagem tem como principais dificuldades a paciência e o tempo. “É um processo bastante longo. Estamos avaliando todos os cômodos, as rachaduras e os mofos para, depois da decapagem, decidir onde deixaremos o original e onde será preciso fazer restauração”, explica o artista plástico e restaurador Paulo Barreto. Quando o prédio receber as atividades, em dezembro, a recuperação dos afrescos ainda estará em andamento e os visitantes poderão conhecer o processo e visualizar parte das pinturas.
Assim como a utilização do Automóvel Clube de Bauru como sede da Orquestra e Banda Municipal, da antiga Estação da Paulista como sede do Museu Municipal da Imagem e do Som, e do prédio que abriga o Poupatempo, Vinagre destaca a importância da criação do Espaço Contemporâneo no processo de revitalização do Centro da cidade. “São lugares desocupados que voltam a ganhar vida”, considera.
A cessão desse local vinha sendo negociada pela prefeitura há três anos e foi efetivada em setembro. Agora, segundo Vinagre, o próximo passo é dar entrada no processo de tombamento do imóvel.
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Afrescos
O autor dos afrescos, encontrados encobertos por tinta na maioria dos cômodos do casarão, ainda não foi identificado, mas os técnicos da Secretaria Municipal de Cultura avaliam que, pelo estilo, tudo indica ser mais uma obra do pintor e escultor Alberto Paulovich.
O artista realizou inúmeras pinturas em Bauru na época, principalmente em igrejas da cidade. Seu filho, Leonardo Paulovich, está pesquisando no acervo do pintor os moldes que poderão comprovar ou não a sua autoria. “Quem trabalhava com essa técnica na época era Paulovich. Leonardo foi até o local, fotografou, mas ainda não conseguiu dar certeza se eram de seu pai”, explica José Augusto Vinagre, secretário municipal de Cultura. Leonardo está com dúvidas quanto às cores utilizadas nos afrescos, que diferem do estilo dos desenhos de Alberto. “Só depois de olhar os moldes com calma, vou poder dizer se as pinturas são dele ou não”, diz.
Caso a autoria não seja comprovada, a prefeitura fará um levantamento histórico, baseado, principalmente, na memória oral para chegar até o autor. “Como o afresco não é uma técnica que se tem o hábito de assinar, vamos ter que consultar as pessoas da época. Mas Paulovich foi o único nome que levantamos, acredito que seja o mais provável”, considera Vinagre.
As pessoas que possuírem fotos antigas ou documentos que auxiliem na recuperação da construção podem entrar em contato com a Secretaria de Cultura pelos telefones (14) 3232-1949 e 3235-1072.