10 de julho de 2026
Nacional

Decisão sobre Dantas deve ficar para semana que vem; Protógenes retoma as atividades

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O juiz Fausto De Sanctis, da 6.ª Vara Criminal de São Paulo, deve deixar para semana que vem uma decisão que dará andamento ao processo em que Daniel Dantas, dono do banco Opportunity, é acusado de uma suposta tentativa de suborno a um delegado federal.

Isto porque De Sanctis viajou a Mônaco, na Europa, para participar do encontro regional do Gafi (Grupo de Ação Financeira sobre Lavagem de Dinheiro). Ele fará uma palestra na quarta-feira, quando falará sobre métodos utilizados por ele para combater a lavagem de dinheiro no Brasil. O juiz deve retornar apenas no próximo sábado.

Quando voltar, De Sanctis terá que decidir se aceita ou não o pedido feito pela defesa de Dantas na última quarta-feira de ouvir novamente o delegado Protógenes Queiroz e o diretor-afastado da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Paulo Lacerda.

Os advogados do banqueiro também pediram acesso ao inquérito contra Protógenes que está na 7.ª Vara e uma cópia da gravação da reunião da Polícia Federal que decidiu pelo afastamento do delegado do comando da Operação Satiagraha.

Caso aceite os pedidos, De Sactis terá que marcar uma nova data para que as testemunhas sejam ouvidas e para incluir as informações pedidas pela defesa do banqueiro ao processo. Já no caso de o juiz negar os pedidos da defesa, ele terá dez dias para proferir sua sentença.

Protógenes conclui curso e volta

O delegado Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha, deveria retomar suas atividades na Polícia Federal até ontem. Ele ficou afastado por quatro meses para realizar um curso superior da instituição, na Academia Nacional de Polícia.

O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, disse ontem que Protógenes não vai reassumir o comando da Satiagraha “por um princípio de continuidade”.

“É importante dizer que a operação não é propriedade de ninguém. Uma operação da PF é um serviço público e o custo disso é suportado pelo cidadão, nós somos meros instrumentos. A regra é a impessoalidade”, afirmou Corrêa depois de participar de cerimônia em comemoração aos quatro anos da Força Nacional de Segurança Pública.

Corrêa afirmou que caberá aos chefes diretos de Protógenes definir a função do delegado. Interlocutores da PF afirmam, porém, que ele não deve retornar à área de inteligência da instituição depois de ser afastado do comando da Satiagraha -em meio a denúncias de que teria vazado informações da operação. A versão oficial divulgada pela PF foi a de que o delegado deixaria o caso para participar do curso. A PF chegou a divulgar parte da gravação de uma reunião em que o delegado teria, supostamente, pedido o seu afastamento da operação. Posteriormente, porém, a íntegra da fita mostrou que Protógenes foi afastado pelos superiores da investigação por suspeitas de má condução da Satiagraha.

O delegado chegou a protocolar representação no Ministério Público Federal para denunciar que foi forçado a deixar o caso. Além de supostamente vazar informações da operação, o delegado é acusado de utilizar indevidamente agentes na Abin.