O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no setor de comércio e serviços coloca Bauru e da região composta de 37 cidades, na média de 4,9%, acima do Estado, de 4,2%, e um pouco abaixo do índice do País de 5,2%. A indústria, no entanto, é que apresentou a maior desaceleração, 2,3% contra 5,8%, registrado no ano passado. Os números constam da pesquisa divulgada ontem em Bauru pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
O documento, desenvolvido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), faz diagnóstico da movimentação econômica dos 37 municípios atendidos pelo escritório regional da entidade em Bauru.
O principal objetivo da pesquisa é identificar pontos positivos e negativos para redirecionar estratégias para 2009.
Segundo o professor André Chagas, da Faculdade de Economia e Administração (FEA), vinculada à Universidade de São Paulo (USP), o primeiro semestre foi prejudicado pela valorização do real frente o dólar. “O desempenho este ano está mais fraco em relação ao que se verificou no ano passado”, salienta. “O câmbio muito valorizado, com o dólar a R$ 1,50, pode ter penalizado as exportações do setor e o desempenho econômico das indústrias”, salienta. De acordo com ele, no entanto, o cenário mudou a partir do segundo semestre, embora os efeitos da mudança ainda não foram sentidos. “Agora, estamos falando de um câmbio com o dólar a R$ 2,30, porém uma demanda menos aquecida do que tínhamos no primeiro semestre, em razão da crise internacional”.
O gerente regional do Sebrae em Bauru, Milton Debiasi, explica que os indicadores dos últimos anos, no entanto, apontam crescimento. Mas faz uma ressalva. “Temos percebido que algumas empresas estão com dificuldades de crédito”, comenta. “Mas os reflexos disso serão sentidos apenas no ano que vem”. Em sua opinião, a indústria sofreu mais com a média do Estado em razão do câmbio.
Os dados fazem parte do Índice de Movimentação Econômica Regional (IME-R), cujo cálculo permite fazer uma estimativa do PIB do Estado e de suas regiões a partir de um conjunto de informações que indicam o comportamento da atividade econômica em uma determinada localidade. A principal vantagem do estudo é que ele fornece dados de forma antecipada à divulgação dos números pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pela Fundação Seade.
Os componentes do IME-R são o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS) e Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), consumo de energia elétrica rural, industrial e comercial, emprego formal, movimentação bancária (depósito e crédito) e produção agrícola.
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Agropecuário mantém expansão
O setor agropecuário da região de Bauru continua acelerado. O PIB no primeiro semestre é de 6,6%, ligeiramente mais alto do índice estadual de 6,5% e abaixo do nacional de 7,1%. Mas no ano passado, o setor rural esteve mais forte com 8% de crescimento contra 5,8% da indústria e 6,9% do comércio e serviços referentes ao período de 2007.
Segundo o levantamento da Fipe, a região é importante produtora de bens agrícolas, cana-de-açúcar, cítricos e pecuária. Destaca-se o perfil agroindustrial, baseado na produção de alimentos e complexo sucroalcooleiro. Está entre as cinco primeiras do Estado em todos os níveis de escolaridade – o ensino médio se encontra em patamar ligeiramente superior ao do Estado – e dentre os municípios que a compõem, pertence ao grupo 1, com bons indicadores de riqueza, escolaridade e longevidade.
Segundo Chagas, a pesquisa não mediu o desempenho da economia no segundo semestre, quando ocorreu a crise financeira internacional. Sobre o desempenho de 4,9% do comércio um pouco abaixo do índice de 2007 de 6,9%, Chagas afirma que a economia brasileira estacionou por uma década nos 2,5%. “É significativo esses 4,9% de crescimento”, declarou.