09 de julho de 2026
Bairros

Elas são maioria na prestação de serviços

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Você consegue imaginar uma profissão onde a figura feminina não se faça presente? Realmente é difícil, seja em menor ou maior proporção, elas avançam, ganham espaços e se destacam em diversas áreas. De acordo com Lilian Azevedo, pesquisadora, professora e doutoranda em história pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Assis, as mulheres galgaram posições importantes nos últimos anos e boa parte dessas conquistas está ligada à dedicação aos estudos.

Há algumas décadas, as mulheres tinham espaço determinado no mercado de trabalho, sendo a maior parte das vagas ligada à educação ou ao trabalho doméstico. Desde a década de 70 em diante, esse panorama começou a ser alterado. O acesso aos estudos e o desejo de romper alguns paradigmas abriram novos horizontes para as mulheres no mercado de trabalho. Hoje, raramente o preenchimento de uma vaga depende do sexo do candidato, mas, sim, do grau de escolaridade de cada um e nesse quesito as mulheres levam vantagem.

Atualmente, a figura feminina se faz presente em todas as áreas do trabalho, do chão de fábrica até a diretoria, dos cargos em instituições públicas até no comércio. Se há 20 anos era difícil imaginar mulheres trabalhando na área da construção civil, hoje, de acordo com levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 0,6% das mulheres empregadas no País atuam nessa área. O percentual pode parecer pequeno, mas representa milhares de mulheres que literalmente colocam a mão na massa todos os dias pelo Brasil afora.

Agnes Mara, 30 anos, é dessas mulheres que conquistou o seu espaço numa função que geralmente é dominada pelo público masculino. Ele trabalha em uma empresa de logística e passa o dia todo dirigindo o caminhão de entregas da empresa.

“Eu sempre quis essa profissão, me sinto realizada atrás do volante”, conta. Apesar de não ser casada, a caminhoneira é que tem o maior salário na família. Ela recebe cerca de R$ 1.000,00 mensais e apenas o irmão tem um rendimento parecido.

Eliane de Mello também não pode dizer que trabalha em um ambiente tipicamente feminino. Ela atua em uma loja de autopeças há mais de 10 anos. Além de atender no balcão da loja, a funcionária também realiza alguns serviços nos veículos que chegam até a loja.

Ao questionar se ela enfrenta algum tipo de preconceito, a jovem conta que não existe e, mesmo que houvesse, não conseguiria atingi-la. Além de Eliane, outras duas mulheres trabalham na autopeças e a gerência da loja também é feita por uma mulher.

O que poderia ser estratégia para atrair o público masculino para abastecer seus veículos passou a ser sinônimo de qualidade, bom atendimento e economia. É dessa forma que pensa o gerente de um posto de combustível localizado na Vila Coralina, onde algumas mulheres trabalham com o abastecimento de veículos.

“A idéia era oferecer algo diferente. Enquanto a maior parte do estabelecimentos do tipo contratava homens para função, nós resolvemos fazer o que nas grandes cidades já era prática comum, que era contratar mulheres para função”, conta o gerente, que pediu para não ser identificado. “Atingimos um grau de qualidade no atendimento e nos serviços antes nunca alcançado”, relata.

Elizabete Cristina de Moura conta que estava desempregada há mais de um ano antes de encontrar vaga no posto de combustível. “Eu queria mesmo trabalhar no atendimento da loja de conveniência, mas fui informada que a vaga já havia sido preenchida e que se eu quisesse poderia fazer um teste como atendente nas bombas de abastecimento”, lembra.

Elizabete aceitou o desafio, mas ao chegar em casa os familiares acharam que o serviço era masculino demais. “Mesmo assim, fui em frente. Trabalho no posto há mais de um ano e não tenho reclamações”, afirma.