A decisão do prefeito Tuga Angerami de retirar da Câmara o projeto de lei que autorizava a desapropriação de terrenos da empresa João Parreira Imobiliária para a construção de casas para famílias que moram em favela do Parque Real gerou protesto entre os moradores do bairro na tarde de ontem.
Inconformados com a decisão do prefeito, moradores bloquearam a rua Braz Fernandez, na altura da quadra 3, ateando fogo em pedaços de madeira e galhos de árvores.
Veículos não conseguiam circular, porém um motorista furou o bloqueio, o que gerou ainda mais revolta. A reportagem do Jornal da Cidade ficou no local até as 14h e a polícia ainda não tinha chegado. Os moradores prometiam continuar protestando o dia inteiro.
Maria da Silva Solano, moradora da favela, alegou que a prefeitura fez diversas reuniões com moradores e que teria prometido o início da construção das casas para janeiro. “Já estava combinado e nós iríamos pagar menos de R$ 70,00 por mês”, diz. “Nem nos avisaram sobre o adiamento”.
A favela, que ocupa terrenos da prefeitura, abriga 34 famílias. “São famílias grandes que tem, no mínimo, quatro crianças”, revela Ednéia Aparecida de Oliveira, outra moradora do local, que é considerado de alto risco.
Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, a decisão de construir as casas está mantida e os recursos – R$ 990 mil provenientes do Ministério das Cidades – estão garantidos para que a administração bauruense aplique na contratação de uma construtora e nas etapas das obras, que serão fiscalizadas pela prefeitura e pela Caixa Econômica Federal (CEF).
A decisão de retirar o projeto e reapresentar em janeiro é para que não haja nenhum questionamento jurídico, porque a empresa proprietária da área onde serão construídas as casas é do vereador João Parreira (PSDB), que tem mandato até 31 de dezembro.
Os lotes pertencentes ao vereador estão avaliados em cerca de R$ 114 mil e que totalizam área de aproximadamente 5 mil metros quadrados. A desapropriação seria feita através da troca com o vereador de terrenos municipais que não estão afetados como área verde ou institucional e não têm finalidade pública.