Para Maria Aparecida Martins, psicóloga do Ambulatório Municipal de Saúde Mental, o crescimento da demanda por atendimento aos pacientes com depressão leve ou moderada é reflexo do modo conturbado de vida adotado pelas pessoas, atualmente.
“Na minha opinião, a sociedade está doente: os valores e a família estão em crise; o álcool e as drogas avançam sem parar; e a violência se alastra por todos os lugares. Além disso, as pessoas deixam a espiritualidade de lado e dão mais importância ao ter do que ao ser”, pensa.
A psicóloga Gislaine Léa da Silva Mondelli, do CAPS-1, tem visão parecida. “Vivemos uma época de consumismo estimulado pelos meios de comunicação. As pessoas estão com a espiritualidade fragilizada - e quando digo isso, não estou falando especificamente de religião, mas sim de algo maior em que se acreditar”, explica.
Embora não disponha de números exatos que possam comprovar essa realidade, Gislaine afirma que é mais comum que mulheres cheguem ao CAPS-1 após atentarem contra a própria vida. “Pelo menos isso é o que podemos perceber a partir do contato diário com os pacientes”, diz.
De acordo com ela, a ocorrência de tentativas de suicídio costuma se manter constante ao longo do ano. “A literatura mostra que há uma leve tendência de aumento no número casos nos meses de inverno, embora não haja uma razão específica que possa explicar esse fenômeno”, salienta Gislaine.
O CAPS-1 foi criado para atender aos pacientes com problemas psiquiátricos graves, especialmente aqueles que se encontram em crises ou que apresentem transtornos com sintomas psicóticos. O local também recebe indivíduos que sofrem de depressões agudas ou que tentaram suicídio (e mesmo aqueles que carregam consigo uma idéia fixa de morte).