11 de julho de 2026
Política

Estrutura precária reduz capacidade dos serviços

Renato Cirino
| Tempo de leitura: 3 min

A capacidade de atendimento para tapa-buracos e recape nos bairros depende muito mais da ampliação da aquisição e disponibilização de matéria-prima, veículos de apoio e de pessoal para a execução dos serviços do que necessariamente de uma nova usina de asfalto.

Esta avaliação está implícita na verificação realizada pelo JC, na última semana, da estrutura e do funcionamento do equipamento. Apesar de ser da década de 70, a usina de asfalto foi reformada em 2002 e tem capacidade de atender a demanda de recape.

O maior problema na ampliação dos serviços é contar com planejamento para compra de materiais básicos utilizados, suporte em pessoal e estrutura de apoio, como caminhões e tratores. Embora os servidores do setor sejam comedidos ao comentar o assunto, durante a visita ficou evidente que eles apontam mais para a ampliação da capacidade dos componentes externos do que de uma nova usina.

Isso não significa que não há viabilidade na aquisição e uma nova usina de produção de asfalto. Mas a questão é que sem a estrutura adicional, o novo equipamento não teria aproveitamento na mesma proporção de sua capacidade de produção do produto.

O que primeiro chamou a atenção da reportagem foi a quantidade de pedidos da população para que a Prefeitura de Bauru tape os buracos. As solicitações chegam sem parar todos os dias na usina e se avolumam em número incontável em cima das mesas e dentro de um armário no local.

Segundo os servidores que operam a usina, a capacidade da fábrica é para produzir massa asfáltica para pavimentar de três e meio a quatro quarteirões por dia. Para produzir o asfalto, seis funcionários estão diretamente ligados à máquina da usina, que emprega ainda mais 121 servidores municipais nas operações de recapeamento, pavimentação e no programa de tapa buracos.

A quantidade de mão-de-obra disponível de maneira integral nas ruas, entretanto, cai de forma permanente com licenças médicas e afastamentos de servidores. Estima-se que pelo menos 10% do total de servidores não fiquem disponíveis. Com deficiência de pessoal, o material produzido não chega às ruas na velocidade das solicitações.

A estrutura da usina conta ainda com 10 caminhões, mas dois estão quebrados e esperando por peças e, por enquanto, não existe a previsão de quando voltarão a funcionar. A mesma situação ocorre com mais dois tratores que também estão parados. A limitação com equipamentos reduz de forma significativa a chegada do recape às ruas.

Dois terços do asfalto produzido vão para as operações de tapa-buraco da prefeitura e do Departamento de Água e Esgoto (DAE), segundo os técnicos. “O tapa-buraco é priorizado pela usina”, diz o engenheiro da divisão de pavimentação, Eduardo Garcia Sanches.

A usina funciona de segunda até sexta-feira das 7h às 16h. José Antônio Cosmo, diretor de pavimentação, disse que a usina pára de funcionar, nos dias de úteis, somente quando há necessidade de fazer a manutenção prévia ou consertar alguma peça quebrada.

O problema não está exatamente na manutenção, mas no tempo de espera pela chegada de peças, que vêm de São Paulo.