09 de julho de 2026
Internacional

Paquistão exige provas concretas para cooperar contra o terror na Índia


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Islamabad -As autoridades paquistanesas decidiram ontem que só enviarão funcionários das agências de inteligência, incluindo membros do serviço secreto, quando quando receberem “provas concretas” da identidade dos terroristas responsáveis pelos ataques terroristas da semana passada em Mumbai, que deixaram 172 mortos.

A decisão foi tomada durante um encontro entre o primeiro-ministro paquistanês, Yousef Raza Guilani, o ministro de Assuntos Exteriores, Shah Mehmood Qureshi, o ministro da Defesa, Ahmed Mukhtar, o chefe do Exército, general Ashfaq Pervez Kiyani, e o chefe do serviço secreto (ISI), general Ahmed Shuja Pasha.

A reunião foi convocada para discutir a situação de segurança interna do país e a relação, cada vez mais tensa, com a Índia.

Durante a reunião, Guilani afirmou que o Paquistão está pronto para cooperar com a investigação dos ataques em Mumbai, mas pediu que o país vizinho pare com as acusações sobre o envolvimento de Islamabad nos atentados.

As ações terroristas coordenadas, levada a cabo no último dia 26 em Mumbai, Capital financeira da Índia, concentraram-se em regiões nobres da cidade, onde ficam dois dos mais luxuosos hotéis: Taj Mahal e Oberoi Trident, além do aeroporto internacional.

Explosões também foram registradas em outros pontos, como a estação de trem Chhatrapati Shivaji, uma das mais movimentadas da Índia, um cinema, delegacias, um hospital que atendia feridos nos ataques e o popular Café Leopold, muito freqüentado por turistas e gente de “Bollywoody” a indústria cinematográfica indiana.

Os ataques foram assumidos por um grupo terrorista desconhecido, os Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia), que, segundo os investigadores indianos, citando o interrogatório do único terrorista capturado vivo, teriam sido treinados por um grupo terrorista sediado no Paquistão, o Lashkar-e-Taiba.

Segundo fontes citadas pela Online, Kiyani e Pasha repassaram a situação da segurança no país desde os atentados em Mumbai, assim como a reação internacional que eles provocaram.

Guilani disse que o Paquistão não tem intenção de agredir nenhum país e quer manter relações cordiais e amistosas com todos, inclusive a Índia. Ele disse ainda que o governo paquistanês defenderá seu território, melhorará as defesas do país e atuará com “mão de ferro” contra os elementos que atacarem o Estado.

Embora reitere a colaboração com o governo indiano, Islamabad negou hoje ter aceitado um prazo de 48 horas imposto pelos Estados Unidos e Índia para entregar três paquistaneses suspeitos de envolvimento nos atentados de Mumbai.

O jornal americano “The Washington Post” publicou uma reportagem falando do suposto ultimato, que incluiria em suas condições a apresentação de um plano para acabar com o Lashkar-e-Taiba.

O “Post” cita como fonte um oficial paquistanês anônimo, que informa que a Índia teria pedido ao Paquistão que entregasse o líder do grupo, além de um ex-diretor do serviço secreto paquistanês, a agência Inter-Services Intelligence (ISI).

Alguns jornais indianos acusaram o ISI de ter treinado os terroristas. “Não há prazo, a Índia não impôs prazo algum, tudo isso é lixo”, disse o porta-voz do ministério das Relações Exteriores paquistanês, Mohamad Sadiq.

A Índia entregou ao governo paquistanês uma lista de 20 suspeitos de terrorismo para serem presos e extraditados.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, contudo, afirmou em entrevista recente que, se for provada a ligação entre suspeitos em seu país com os ataques, a justiça paquistanesa se encarregará de julgá-los e condená-los.