09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A “minha” história de amor


| Tempo de leitura: 3 min

Neste mês de dezembro completo 12 anos de padre (ordenação sacerdotal), no dia 12. É uma história de amor, venturas e desventuras que começou na minha querida Paróquia de Santa Rita de Cássia, no dia 12/12/1996, dia de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina e dia de minha ordenação sacerdotal. Digo de coração: ainda é, sem sombra de dúvida, o dia mais feliz de minha vida.

O bispo ordenante foi dom Aloysio José Leal Penna - SJ, então bispo de Bauru e tive ainda outra alegria de contar com a presença de dom Cândido Padin - OSB, que havia sido bispo diocesano por 20 anos e era à época, nosso bispo emérito (aposentado) e que faleceu no mosteiro de São Bento em São Paulo, aos 92 anos de idade.

Dom Aloysio, no ano de 2000, tornou-se arcebispo de Botucatu, onde está até hoje. Após minha ordenação, assumi o seminário diocesano Maria Mãe da Igreja como reitor e a Paróquia de São Judas Tadeu e São Dimas onde permaneci por seis anos e dois meses. Foi meu primeiro amor... de padre!!!

Em 2001, no mês de agosto, no dia do padre, assumi também a Paróquia de Santa Teresinha do Menino Jesus, onde permaneci até dezembro de 2004, quando assumi as paróquias do beato José de Anchieta e Santa Edviges, juntamente com o diácono Márcio José Cattache e o seminarista Guilherme Marcon Arantes. O diácono Márcio, padre em dezembro de 2005, permanece na primeira e eu com a segunda, ambas no Núcleo Habitacional Mary Dota, tão esquecido, entre outros bairros de periferia que os políticos somente se lembram em tempo de campanha.

Em dezembro de 2003, no dia 8, fui nomeado por um mandato de 5 anos como ecônomo diocesano, onde estou até agora conciliando com a função de pároco de Santa Edviges. Quem me nomeou foi dom Luiz Antônio Guedes, nosso bispo que nos deixou em outubro passado, sendo transferido para a diocese de Campo Limpo.

Em dezembro de 2006, tornei-me responsável pela capela rural de São Sebastião do Rio Verde, onde permaneço.

Posso dizer que foi, é e sempre será difícil e ao mesmo tempo gratificante ser padre. Somos amados, odiados, lembrados, esquecidos, gratos, ingratos, justiçados, injustiçados. É uma mistura que me faz lembrar do cantor Roberto Carlos, que muitos o intitulam “rei”, não para mim, “são tantas as emoções”! O certo é que a exemplo do Evangelho, não podemos e não devemos esperar recompensa nesta vida. Tudo o que fazemos e deveremos realizar nesta vida, deve ser feito em nome do Senhor, lembrando que é a gratuidade que edifica.

Contudo, posso dizer nestes 12 anos aquilo que sempre passo para meu povo: que sou feliz (felicíssimo antônio pereira) no que faço e me realizo como cristão e como padre no meio do povo que me foi confiado.

Nos quatro anos que estou na Paróquia de Santa Edviges e no Mary Dota, onde fui muito bem acolhido, tenho dito e estou cada vez mais convencido que estou no céu e o céu em Bauru é para mim hoje, no Mary Dota, Beija Flor e Nobuji Nagasawa, onde tenho em cada bairro, as padroeiras Santa Edviges, Nossa Senhora de Guadalupe e Nossa Senhora do Carmo, respectivamente. É uma bênção muito grande e agradeço a Deus ter me colocado neste lugar e rogo ao bom Deus que abençoe este povo que nem sempre se sente no céu comigo, pois reconheço minhas limitações e não são poucas, mas sei também que, obviamente nunca conseguirei agradar a todos, embora me esforce, mesmo sendo... uma peste!!!!

Quero expressar com esta carta minha gratidão a todas as comunidades por onde passei, expressando também a minha alegria no meu sacerdócio, da minha vocação e do meu amor pelo que faço e desempenho com seriedade, apesar de tudo.

Deus os abençoe, Nossa Senhora e São José proteja vossas famílias e comunidades paroquiais. Feliz Natal e abençoado Ano Novo. Rezem por mim.

Padre Carlos Henrique Andrade Siqueira