11 de julho de 2026
Internacional

Estados Unidos: Federal Reserve reduz taxa de juros para o menor patamar da história

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - O Federal Reserve (Fed, o BC americano) decidiu ontem estabelecer sua taxa de juros para uma margem entre 0% e 0,25% ao ano, em sua última reunião regular de 2008, o menor patamar de sua história. A taxa estava em 1%, nível a que chegou na reunião de outubro.

Na reunião, o Fed ainda decidiu aprovar por unanimidade cortar a taxa de redesconto em 0,75 ponto percentual, para 0,5% ao ano.

Entre a reunião anterior, em 29 de outubro, e a de ontem, o Fed se viu diante de dois dados que evidenciam a fragilidade da economia americana: o mês de novembro registrou a perda de 533 mil empregos e o Nber (Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, na sigla em inglês) informou que a economia americana está em recessão desde dezembro de 2007.

No comunicado da reunião de outubro, o Fed já reconhecia a gravidade da situação: “o ritmo da atividade econômica parece ter caído acentuadamente, devido em grande parte a um declínio nos gastos dos consumidores”. Em outubro, de fato, os consumidores americanos se tornaram mais avessos a fazer gastos no clima de incerteza sobre a economia: a queda naquele mês foi de 1%, a maior desde setembro de 2001. Em setembro já havia sido registrada uma queda de 0,3%.

O Fed já havia anunciado uma primeira avaliação de como anda a economia do país no “Livro Bege”, o documento com dados econômicos coletados em suas 12 divisões regionais. No documento, o banco concluiu que boa parte dos distritos acusaram queda nas vendas no varejo e que o comércio de veículos caiu “significativamente” na maioria das unidades regionais.

O setor de serviços teve desempenho negativo e o setor manufatureiro declinou na maior parte dos distritos, segundo o documento. “Quase todos os distritos reportaram um fraco mercado imobiliário, caracterizado pela redução nos preços de venda com um baixo, mas estável, volume de negócios”, diz o texto. A concessão de crédito também piorou, com redução no financiamento para pessoa física e jurídica, além de condições mais apertadas para empréstimos.

Novos sinais

Os sinais dados pela economia ontem corroboraram a opinião de que o quarto trimestre guarda novos sinais desanimadores.

Os preços ao consumidor tiveram uma queda de 1,7% no mês de novembro, após retração de 1% em outubro, maior recuo na comparação mês a mês já registrado desde que a pesquisa de preços começou a ser feita, em 1947.

Além disso, a construção de imóveis residenciais nos EUA caiu 18,9% em novembro, para uma taxa anualizada de 625 mil unidades, depois de uma taxa de 771 mil em outubro. Foi a maior queda desde março de 1984. As solicitações de alvarás de construção, considerados um indicador de atividade futura na construção, tiveram queda de 15,6%, para 616 mil, contra 730 mil em outubro. A expectativa dos analistas era de uma queda para 700 mil.

Ontem, a Nahb (Associação Nacional de Construtores de Imóveis Residenciais. na sigla em inglês) informou que o índice teve queda recorde em dezembro.

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Reflexos no Brasil

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) tomou novo fôlego. A maioria dos economistas do setor financeiro estimava um ajuste para 0,50%. O câmbio fechou a R$ 2,37. “A primeira reação foi bastante positiva, mas a decisão é, na verdade, uma faca de dois gumes. Realmente, o corte traz um grande alívio: na visão do mercado, o Fed acertou no “timing’ de sua decisão, ao acelerar um processo que já ocorreria, dado um certo horizonte de tempo. Só que ele gastou munição. A “bala monetária’ está chegando a zero”, avaliou o economista Frederico Turolla, professor da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).