Washington - O escolhido de Barack Obama para comandar o Departamento da Agricultura é um político que já defendeu o fim da tarifa hoje cobrada do etanol brasileiro e do subsídio federal dado aos produtores do combustível nos EUA. Se Tom Vilsack vai manter essas posições polêmicas no governo é algo que tanto a bancada ruralista quanto a comunidade internacional observarão com atenção.
Ontem, em entrevista coletiva em Chicago, o presidente eleito citou a defesa que o ex-governador de Iowa faz da “energia verde” e do “etanol celulósico” - mas nenhum dos dois mencionou tarifa nem subsídio. Vilsack, 58 anos, fez parte da força-tarefa de mudança climática do Conselho de Relações Exteriores que recomendou o fim das duas práticas.
Como governador por dois mandatos em Iowa, o segundo maior Estado agrícola dos EUA, Vilsack é considerado uma ovelha negra pela poderosa bancada ruralista do Congresso. “O ex-governador é um grande defensor do biocombustível”, disse Joel Velasco, representante-chefe nos EUA da Unica, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar. “Apesar de ser de Iowa, ele parece admitir que algumas políticas agrícolas dos EUA precisam mudar.”
Já o novo secretário do Interior, o segundo indicado do dia, causou espécie em parte dos ambientalistas americanos - e não por ter aparecido na entrevista de chapéu de caubói. Senador em primeiro mandato pelo Colorado, Ken Salazar não era o nome preferido dessa comunidade, principalmente em seu próprio Estado, onde ocupou cargo semelhante.
Sua principal função será equilibrar a preservação de terras públicas e reservas e a necessidade de exploração de novas áreas para energia - e Salazar é visto como mais interessado na segunda ação. “Quero ajudar a criar nossa economia baseada em energia limpa”, disse, em seu discurso ontem, “e garantir que estamos usando sabiamente nossos recursos naturais convencionais, como carvão, petróleo e gás.”
Faltam quatro
Aos poucos, Obama vai concluindo o gabinete. Até o fim da semana - quando ele viaja ao Havaí para prestar homenagens à avó materna, morta na véspera da eleição, e para passar o Natal com a família - devem sair os nomes em Comércio Exterior, Trabalho, Transportes e o do czar antidrogas.
Para o primeiro, o favorito saiu de campo. Era o deputado Xavier Becerra, da Califórnia, conhecido por posições protecionistas e que decidiu aceitar o cargo de vice-líder da bancada democrata na Câmara. A posição é importante para o Brasil. Ocupada hoje por Susan Schwab, tem entre suas atribuições negociar tratados de livre comércio e representar os EUA na Rodada Doha de liberalização comercial.