Se narrar os dissabores que já aconteceram no intestino dos governos municipais que desafortunadamente têm “passado” por Bauru é ser áspero, aí, então, confesso que sou.
Foi como “áspero” que o sr. Moacir Puga (sic) classificou-me em sua carta “Obrigado Nilson” (Tribuna do Leitor, pág.26 de 13/11). Entretanto, se for preciso ser áspero para trazer à lembrança de nossa ordeira população as gestões que terminaram em cassações, em fugas e prisões e uma recondução ao poder executivo municipal por liminar da Justiça, melhor áspero que conivente.
É mister constar aqui que em momento algum em minha missiva asseverei que o “artigo assinado pelo senhor Nilson incomodou-me”, como asseverou o senhor Puga. O que me incomodou mesmo, e continua a incomodar, - não só a mim, mas todo o município - foram as suas gestões frente à prefeitura. Prova de minha assertiva foi seu pífio desempenho nas últimas eleições, embora tenha tido todos os votos anulados por inelegibilidade, mesmo após cerca de cinqüenta anos na luta sindical e política.
Porém, sempre que mostro o rosto ao escrever minhas mal traçadas linhas, eu mesmo sou responsável por elas: “Nunca, jamais, em tempo algum” (sic Luiz Inácio) qualquer pessoa, em meu nome, precisou responder réplicas de cartas por mim redigidas ou a mim dirigidas.
Tudo o que já escrevi sobre as gestões de Izzo Filho e Nilson Ferreira Costa (que a mim, por medos ou asco, como já disse aqui, se refere usando apenas as minhas iniciais-JGO) são fatos comprovados. Constam dos anais da Câmara Municipal, de atos administrativos da prefeitura, de registros da Promotoria do Estado e de processos já transitados em julgado em nossas varas forenses, ou que ainda estão em tramitação, pendentes de julgamentos.
Não tenho que dar satisfações de minhas preferências eleitorais a ninguém, mas não tenho nenhum pudor em declarar, aqui, que não votei em Tuga Angerami e que, para seu segundo mandato, votei em Nilson Costa. A grande diferença, e é bom que disso o senhor Puga saiba, é que tenho o pudor de reconhecer meus erros. E como errei, confesso!... A verdade é que dos males que padeceram as gestões de Izzo e Costa, com toda certeza não padece a gestão do atual prefeito.
Quando em minha carta eu digo que gostaria de saber quanto o ex-prefeito teria deixado em caixa ao término de seu mandato, recebo de Puga, como resposta, que “o velhinho é do bem”(sic)! Calculem, os leitores, se fosse do mal... Quanta tergiversação! E bem ao estilo “malufista” de Costa... Forçoso reconhecer que para gerir toda a estrutura de uma cidade com cerca de 300.000 habitantes é preciso ter bastante competência. Talvez isso explique as dificuldades por que tem passado o “velhinho do bem”!
Se dívidas existem ainda com relação à CPFL e Funprev (e devem existir) são restos a pagar, deixados ao léu nas gestões de Izzo e do ídolo do senhor Puga. A CPFL, depois de demoradas negociações, concordou em parcelar as dívidas antigas em moldes bastante vantajosos para a municipalidade, diferentemente das negociações feitas com o Chase, ao tempo da gestão de Nilson.
Não foi por outra razão que houve alguma melhoria na sempre parca iluminação da cidade, inclusive com duplicação de pontos de luz ao longo de toda a Avenida Getúlio Vargas. A dívida junto à Funprev, cujas mensalidades não vinham sendo recolhidas desde cerca de15 ou mais anos, foi renegociada pela atual gestão para ser paga em 25 ou 27 anos, se não me engano. Ao atual prefeito Tuga Angerami, indevida e maliciosamente, o missivista quer, agora, imputar o total da dívida, cujo parcelamento vem sendo pago em dia. Este jornal já publicou várias matérias sobre esses assuntos.
Quanto à dívida da prefeitura junto ao Chase, decorrente das primeiras obras do viaduto inacabado, iniciado por Tidei de Lima e abandonado por Izzo e Costa, dou-me ao desplante de relembrar que tal dívida, que quase quadruplicou, é decorrente de cálculos incompetentes, incorretos e errôneos (contra Bauru, obviamente).
Tais cálculos foram elaborados em planilhas de conciliação durante o governo Costa, com os quais o prefeito de então concordou, assinando uma confissão de dívida exorbitante. Sobre este assunto, há sentença que determina o refazimento dos cálculos, impetrada por meio de uma ação popular, peticionada por um advogado bauruense.
Com o resultado dos novos cálculos a prefeitura passará a ter um enorme crédito a receber. O Departamento Jurídico daquela gestão, não teve competência para identificar o... engano! O JC se reportou detalhadamente sobre o assunto.
Por haver pesquisado e analisado intensamente mandatos tão desastrados como foram aqueles a que aqui me referi, confesso não ter mais condições de voltar a tratar de assunto tão decepcionante. Não terão respostas eventuais correspondências sobre o mesmo assunto, se nesta Tribuna vierem a ser publicadas. Basta!!! Quanto ao título que encontrei para esta minha carta, por ser auto-elucidativo, creio serem desnecessários comentários acerca das razões de tê-lo eu adotado.
João Guilherme Ortolan - RG 10.938.473