09 de julho de 2026
Nacional

Brinquedos apresentam substância tóxica

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - A presença de uma substância tóxica fez com que 8 de 17 brinquedos de plástico para crianças de até 3 anos fossem reprovados em teste realizado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Com exceção de um deles, o Shrek 3, que era pirateado e não tem fabricante identificado, todos continham o selo de qualidade do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) (veja quadro).

Os brinquedos apresentaram ftalato na sua composição, substância que dá maleabilidade ao plástico (PVC) e é suspeita de causar problemas nos rins, no fígado, no sistema reprodutivo e ser potencialmente cancerígena. O ftalato pode ser absorvido no contato com a pele, por inalação ou pela saliva. Crianças até 3 anos estariam mais expostas porque costumam colocar tudo na boca e são naturalmente mais frágeis.

De acordo com Renata Waksman, presidente do departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria, um estudo realizado em Porto Rico relaciona o ftalato à puberdade precoce em meninas. Desde março deste ano, o uso de determinadas quantidades e categorias de ftalatos em brinquedos é proibido pelo Inmetro. A portaria, no entanto, não exerce efeito sobre os produtos fabricados antes deste período.

Os fabricantes dos brinquedos reprovados no teste afirmaram ao Idec estarem adequando seus produtos. A Algazarra, que fabrica Mônica e Meu Primeiro Boliche, diz que colocará etiquetas proibindo estes produtos para menores de 3 anos - o tipo de ftalato encontrado neles é proibido só para menores dessa idade. Já a BS Toys, responsável pelo Smile & Learn e pela Turminha Legal, disse supor se tratar de um lote antigo, e que verificará a existência de produtos fabricados antes de março.

A Grow, que produz o Garu, enviou ao Idec documento do laboratório SGS que mostra que o produto estava adequado. O caso está sendo apurado. Responsável pela Lovely Collection, a Saga informou que a importação do brinquedo foi anterior a março deste ano, mas se comprometeu a comunicar seus clientes a requerer a devolução dos produtos. A Plastbrinq, fabricante do Funny Car, diz não usar ftalato desde novembro de 2007. Em nota à, a Mattel afirma não ter recebido do Idec dados sobre a metodologia utilizada e que, “dessa forma, não é possível esclarecer detalhes pertinentes aos resultados”.