A aposentada Fátima Maria Cruz estava com tudo bem planejado. Ela iria aproveitar a renda extra do fim do ano para trocar de carro. Ela tem um Gol e queria trocá-lo por um Fox zero quilômetro. Porém, surgiu a tal crise mundial no meio do caminho. De uma hora para outra, a economia ficou de pernas para o ar. A expectativa pelo melhor Natal dos últimos tempos transformou-se em medo. Foi esse sentimento que levou Fátima a adiar seus planos.
A idéia dela é entregar o carro que possui e financiar o restante em “suaves” prestações. O medo da aposentada reside justamente nesse segundo ponto. Será que é hora de assumir um financiamento a longo prazo? Ela acha que não. “Não gosto da idéia de fazer uma dívida grande sem saber se vou ter condições de pagar. Pode ser que eu precise desse dinheiro para outra coisa. Por enquanto, acho melhor esperar, dar um tempo até a poeira abaixar”, comenta.
Enquanto isso, ela vai continuar com o Gol. Afinal de contas, ele está pago. Se for preciso fazer alguns ajustes, com certeza, a dívida será bem menor.
A exemplo dela muitas outras pessoas também ficaram com medo das incertezas que cercam a economia e resolveram pôr o pé no freio. Everton de Campos Rosa, gerente de vendas de uma loja de informática, é testemunha dessa mudança de comportamento. Ele relata que antes da crise financeira mundial tomar conta do noticiário nacional, os consumidores faziam suas compras e financiamentos despreocupadamente. Depois que as demissões em massa começaram a pipocar em todo canto, inclusive na região, como a dispensa de mais de 100 funcionários feita pela Volvo, em Pederneiras, há cerca de duas semanas, as pessoas ficaram mais preocupadas. A realidade agora, segundo Everton, é outra. “Muitos pedem um orçamento e depois dizem que vão esperar mais um pouco.” Além disso, os preços subiram. Grande parte das peças que compõem um computador é cotada em dólar.
Com a moeda em alta, ficou difícil manter o valor de alguns meses atrás, quando os preços estavam realmente convidativos. Havia até a expectativa de que este seria o “Natal do notebook”. Segundo o gerente de vendas, apesar de ter esfriado, a procura pelo computador portátil continua grande. Isso por conta do pagamento do 13º salário. A partir de janeiro, não dá para prever o que vai acontecer.