08 de julho de 2026
Geral

Ações em baixa e consumo em alta

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Para quem busca oportunidades na bolsa de valores esse é o momento de comprar ações. “É uma excelente oportunidade a médio prazo. As ações caíram muito. As que estavam cotadas a R$ 50,00, hoje estão valendo R$ 20,00”, cita economista Cláudio Gonçalves, do Conselho Regional de Economia (Corecon).

No entanto, na opinião do corretor da bolsa de valores Fabio Lara, o cenário poderá ficar ainda mais favorável no início do próximo ano. “Vivemos uma fase em que os preços estão realmente baixos, mas eles podem cair ainda mais”, prevê.

Na avaliação dele, o pior da crise ainda está por vir. Como é fim de ano, uma época em que a maioria dos brasileiros está com mais dinheiro no bolso, é natural que o consumo continue aquecido. Com as vendas em alta, a indústria e o comércio mantêm o nível de emprego.

O impacto poderá ser sentido quando passar a euforia das compras de Natal. Lara lembra que janeiro costuma ser um mês ingrato para a maioria dos assalariados, porque tem Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), matrícula de escola, material escolar, parcelas das compras de Natal e outros gastos. Diante de tudo isso, a retração deve bater à porta do brasileiro no primeiro trimestre do ano que vem. E isso deve derrubar os preços ao consumidor.

Mesmo diante de um cenário bastante favorável, Lara diz que é preciso ter muita calma na hora de comprar ações. Segundo ele, uma escolha errada pode pôr tudo a perder, literalmente.

Gonçalves, economista do Corecon, também dá sua dica. “Quem for às compras neste fim de ano, deve fazer isso com planejamento, pensando sempre a longo prazo”.

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Os mais afetados

Embora a crise financeira internacional tenha seus vencedores (empresas que lucram apesar da recessão), o conjunto daqueles que estão sendo derrotados por ela é maior. “A crise tem muito mais perdedor do que ganhador”, afirma o corretor da bolsa de valores Fábio Lara.

A lista é grande, mas os mais afetados, na opinião dos economistas, são os setores da construção civil e da indústria. Segundo eles, esses setores deverão ter maior dificuldade para se recuperar dos golpes que receberam e continuam recebendo da crise.

Na avaliação do economista Cláudio Gonçalves, do Conselho Regional de Economia (Corecon), o setor de construção civil deve levar de um ano e meio a dois para começar a dar sinais de recuperação. Isso por ser um setor onde os projetos normalmente são de longo prazo.

No quesito indústria, o economista Adriano Fabri, cita o setor automobilístico como um dos que deverão demorar mais para se recuperar. Segundo ele, veículos zero quilômetro são caros e o prazo de financiamento é longo, o que desencoraja os consumidores a se arriscarem num momento econômico cheio de indefinições.

Tanto Fabri quanto Gonçalves apontam também o setor de eletroeletrônicos como um dos grandes prejudicados. Normalmente, não são produtos de primeira necessidade. Portanto, podem ser adiados até que o cenário esteja mais favorável e seguro. Gonçalves prevê que o setor só deve voltar a crescer a partir de 2010.