10 de julho de 2026
Bairros

Áreas verdes do município pedem atenção

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

De acordo com orientação da Organização das Nações Unidas (ONU), cada município precisa possuir em média 12 m2 de área verde para cada habitante. Entenda-se por área verde praças, jardins, canteiros centrais de avenidas, rotatórias e a arborização urbana.

Um estudo realizado e publicado há 30 anos em Bauru por Osmar Cavassan, professor de ecologia vegetal do curso de biologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), apontava que a média de área verde no município por habitante era bem menor do que a recomendada pelo órgão e ficava em torno de 1,08 m2 por cada morador. Cinco anos mais tarde, novo estudo mostrou um tímido crescimento nessa proporção.

“Hoje não existe um estudo que aponte essa proporção na cidade, mas de acordo com o que se vê, o município ainda está longe de atingir esse índice”, lamenta o professor. Aliás, no Brasil, explica Cavassan, poucas cidades, entre elas Rio de Janeiro, João Pessoa e Curitiba, estão dentro desse índice ou perto de atingi-lo.

Para o professor, o planejamento adotado em Bauru é tecnicamente incorreto. Até agora, o que foi visto são tentativas isoladas, mas não há um planejamento voltado para toda a cidade. “Não existem critérios técnicos” completa.

Cavassan lembra que em diversas calçadas é possível encontrar árvores plantadas cujas copas são incompatíveis e chegam a atrapalhar a manutenção de cabos da rede elétrica, de telefonia e TV a cabo. O professor cita ainda o plantio de espécies inadequadas, como as espécies de árvores que soltam folhas e flores em grande quantidade. “Outro problema estão nas frutíferas, com frutos suculentos que ao cair podem apodrecer na calçada se não forem recolhidos”, lembra.

O plantio irregular também gera problemas, em alguns casos a falta de cuidados com as raízes chega comprometer a estrutura das casas.

De acordo com o professor, o histórico do município mostra que a falta de planejamento para as áreas verdes vem de longa data, como aponta o estudo realizado por ele há 30 anos. “Em Bauru, não há nenhum indicativo que comprove a adoção de um planejamento nas últimas décadas para melhorar as áreas verdes do município”, lamenta o professor.

De acordo com Cavassan, mesmo as regras simples de plantio, como manter a distância de uma árvore para a outra ou do poste de iluminação pública, não vêm sendo respeitadas. Segundo ele, para evitar problemas no futuro e para que não seja necessária a eliminação de árvores adultas é preciso observar agora os critérios de espaço.

Pela lei em vigor, cada muda plantada precisa estar distante no mínimo seis metros da outra muda. No caso de postes de energia, a distância mínima exigida é de cinco metros e caixas de inspeção o mínimo exigido é de dois a três metros.

Levantamento

Problemas ambientais não são “privilégios” apenas de Bauru. Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a sétima edição da Pesquisa de Informações Municipais (Munic), que investigou, além da gestão pública, os temas meio ambiente, transporte e habitação. Ao longo deste ano, 5.040 municípios brasileiros (90,6%) enfrentaram problemas ambientais.

Apenas 37,4% dos municípios brasileiros tem recursos próprios o meio ambiente. De acordo com a pesquisa, cerca de 80% dos municípios tem algum órgão dedicado ao meio ambiente e menos da metade, 47,6%, tem conselhos para o meio ambiente.

De acordo com o Munic, para uma prefeitura enfrentar de forma adequada os problemas ambientais é preciso que haja, simultaneamente, uma secretaria de meio ambiente, recursos específicos para a área e conselho de meio ambiente ativo. Nesse caso, apenas 18,7% dos municípios brasileiros têm essas três variáveis. Nesse caso, Bauru é um dos 943 municípios no Brasil que cumprem todas essas exigências.