08 de julho de 2026
Geral

Jovens preferem carreiras tradicionais

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Apesar do surgimento de novas e promissoras carreiras nos últimos anos, as profissões antigas continuam dominando a preferência dos jovens vestibulandos. Cursos como medicina, direito, engenharia, economia e ciências biológicas foram os que receberam o maior número de inscrições em três dos principais vestibulares do Brasil: Unesp, Unicamp e USP.

Analisando os últimos cinco vestibulares é possível notar um crescimento no interesse por essas áreas. As inscrições para o curso de medicina, na USP, por exemplo, saltaram de 11.872 em 2004 para 13.379 neste ano. No mesmo período, os inscritos no curso de engenharia mecânica da Unesp passaram de 2.686 para 3.636.

Aliás, medicina é a campeã absoluta em todos os vestibulares pesquisados. O único curso que chega perto (nas três universidades) é engenharia e computação da USP. Mas se forem somadas as inscrições para todos os cursos de engenharia (mecânica, elétrica, civil, química etc), a área ultrapassa a medicina em interesse.

O curso de direito, especialmente o da USP, também chega perto. O diferencial dessas três áreas (engenharia, medicina e direito) é que elas oferecem uma gama bastante variada de especialidades. Esse detalhe é apontado por profissionais desses setores como um dos principais motivos que levam os jovens a procurar essas profissões.

“Historicamente, o curso de direito é bastante procurado porque ele oferece um leque grande de opções depois que o aluno se forma. Ele pode optar pela advocacia, magistratura, Ministério Público, concursos públicos etc. Com a medicina é a mesma coisa. As especializações são variadas”, aponta Edson Reis, conselheiro estadual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Subseção Bauru.

A avaliação é compartilhada pelo urologista Carlos Alberto Monte Gobbo, conselheiro da Delegacia Regional de Medicina em Bauru, e pela advogada Daniela Rodrigueiro, diretora dos cursos de direito da Instituição Toledo de Ensino (ITE) de Botucatu e Ibitinga e coordenadora do núcleo de pesquisa científica e de extensão em Bauru. “Além de apresentar um leque de oportunidades bastante variado, são áreas de atuação completamente diferentes. E isso atrai”, opina Daniela.

Outro ponto lembrado pelo advogado Edson Reis é que medicina e direito são áreas imunes às crises econômicas, ou seja, o risco de perder o emprego é pequeno. Com crise ou sem crise, as pessoas precisam de médicos e de advogados.

No caso específico de medicina, Gobbo afirma que é uma das poucas profissões que o aluno deixa a universidade com emprego garantido. “Além de uma demanda constante por esse tipo de profissional, não é uma área que fica refém das variações econômicas.” Na avaliação dele, é por isso que o curso de medicina tem liderado a preferência dos jovens ao longo dos anos.

Embora a engenharia não seja imune às crises, é uma área que apresenta déficit de profissionais. A exemplo de medicina, um engenheiro recém-formado também tem atualmente emprego garantido.

Educação física, farmácia e letras, outros três cursos da “velha guarda” da universidade, também estão entre as mais procuradas pelos jovens.

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Vocação

A jovem Mariel Rodrigues de Freitas nunca teve dúvidas do que queria ser quando crescesse. Segundo ela, sua vocação estava no sangue. Ela cresceu no meio de advogados, juízes e promotores. O direito era algo que faz parte da família, e ela queria seguir o mesmo caminho.

Dentre as opções proporcionadas pelo direito, Mariel disse que vai investir principalmente na conquista de uma vaga no Ministério Público.

Segundo ela, essa é a vontade da maioria dos formandos. “A maior parte dos alunos não quer mais advogar. Todos querem passar em concurso público, por causa da estabilidade”, comenta.

A exemplo de Mariel, a advogada Daniela Rodrigueiro também nunca pensou em seguir outra carreira que não a do direito. “Acho que quando eu nasci já tinha escolhido o que iria ser”, brinca ela. “As injustiças sempre me incomodaram”, argumenta.

No entanto, ao contrário de Mariel, Daniela não tem ninguém na família que tenha escolhido alguma carreira ligada ao direito. Por enquanto, somente ela e um sobrinho que ainda está na faculdade. Formada há 15 anos, hoje ela é diretora dos cursos de direito da Instituição Toledo de Ensino (ITE), em Botucatu e Ibitinga, e também coordenadora do núcleo de pesquisa científica e de extensão da ITE de Bauru.

Na opinião dela, não existe nada mais gratificante do que “consertar as injustiças e reverter as sacanagens do dia-a-dia.” Segundo a advogada, na área do direito, assim como em outras, só quem tem vocação consegue se destacar em meio à concorrência.