09 de julho de 2026
Auto Mercado

Dr. Automóvel: Dúvidas de fim de ano

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Final de ano é época de viajar, rever amigos e parentes e descansar um pouco a cabeça. Não se esqueça de que quem irá levá-lo aos lugares que escolheu será o seu melhor amigo, o seu carro. Então, não descuide da manutenção preventiva dele antes de pegar a estrada.

Diversos leitores mandaram perguntas referentes à manutenção do carro e minha resposta foi direta a eles, mas sempre se resumia no que temos publicado insistentemente nesta coluna. Consulte antes o manual do proprietário e veja os períodos de troca recomendados pelo fabricante para cada componente, e não se fie nos comentários e opiniões técnicas de pseudo-entendidos. Vejam o que nos pergunta nosso amigo leitor Luiz Fernando, de Bauru:

“Gostaria se possível, através de e-mail ou com uma publicação da coluna do Correio Técnico, que me tirassem uma dúvida. Talvez essa dúvida seja também de muitos outros proprietários de carro Flex: Tenho um carro Flex e uso sempre álcool, os mecânicos, uns dizem para cada 2 tanques de álcool usar 1 de gasolina, outros dizem 1 de álcool, outro de gasolina, outros dizem pode rodar sempre com álcool. - Qual a atitude correta?”

Já tive a oportunidade de dizer que um motor não é temperamental. Ele pode ter sido projetado para funcionar exclusivamente com álcool, só com gasolina ou com os 2 simultaneamente, que é o caso dos motores flex. Cada combustível exige uma configuração de motor própria, como taxa de compressão (para gasolina é 9,5:1 enquanto que para álcool é de 12:1); mistura ar/combustível (gasolina precisa de 14:1 e o álcool 9:1); pontos de injeção e ignição são específicos, assim como o volume injetado também muda. Como funciona um motor Flex? A eletrônica embarcada monitora qual o combustível que está passando por ali naquele momento, variando desde 100% de gasolina até 100% de álcool ou qualquer mistura intermediária. Em função do resultado, a centralina altera os dados de injeção (volume e ponto) e de ignição para aquela determinada composição combustível e o carro funciona. Só que alguns parâmetros não podem ser alterados ou regulados por serem fixos, como o volume da câmara de combustão, a forma da cabeça dos pistões, o tipo de vela de ignição e seu grau térmico, dentre outros. Para evitar que o motor sofra com detonação (conhecida popularmente como “batida de pino”), a central altera alguns parâmetros enriquecendo ou empobrecendo a mistura de forma a atenuar os efeitos colaterais. Por isso que sempre afirmo que um motor de combustível puro é mais eficiente do que um Flex, pois é totalmente otimizado para aquele combustível. O Flex tem a vantagem de funcionar com o que estiver disponível no mercado ou for mais econômico, mas seu consumo sempre será maior do que se fosse de um combustível só. Agora, não tem nada a ver essa conversa fiada de que um motor Flex precise usar ambos combustíveis alter-nadamente, é pura bobagem. Os sensores que ficam em contato com o combustível são feitos para funcionarem com qualquer um dos dois e irão ler dados como condutividade elétrica, temperatura e volume, portanto não precisam rever o contato físico com cada um deles de vez em quando para se lembrar. Você pode usar um combustível só indefinidamente se isto for mais conveniente para você. Por exemplo, o álcool é muito mais barato aqui no Estado de S. Paulo do que no Rio Grande do Sul, portanto aqui compensa colocar 100% álcool no tanque. Se for para lá, compensaria colocar só gasolina. Mas se tiver meio tanque de álcool e não conseguir mais para completar, pode por gasolina que irá funcionar também. É esta flexibilidade que justifica o nome de um motor Flex.

Outra pergunta freqüente que recebi de vários leitores é sobre o óleo a ser usado na troca. Frentistas insistem em tentar vender óleo semi-sintético para motor que não precisa. A maioria dos motores populares usa óleo mineral convencional, que custa na ordem de R$ 10 a 13,00 o litro, ao passo que um semi-sintético custa o dobro. Se forem respeitadas a hora da troca e as exigências de uso (cidade, estrada, condição dos filtros de óleo e de ar, etc.) o óleo mineral é aceitável, desde que seja da viscosidade e da classificação especificadas, como por exemplo 25W40 SL. Não se recomenda alterar o produto por outro de especificação diferente. Use sempre óleo de marca conhecida e de boa procedência. No mais, é só para tirar seu dinheiro...

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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda.

Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).