10 de julho de 2026
Nacional

OAB recorre à Justiça para punir policiais envolvidos em morte de reféns

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - A OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil) anunciou ontem que irá acompanhar as investigações a respeito da morte de dois reféns inocentes que junto a outros três supostos criminosos morreram após um tiroteio com policiais civis no Rio na última terça-feira. A entidade informou ainda que ingressará com com notícia-crime no MP (Ministério Público) Estadual com o objetivo de suscitar uma ação contra os policiais que participaram da ação.

Segundo a Polícia Civil, o soldado do Exército Rafael Oliveira dos Santos, 21 anos, que foi enterrado anteontem, e o amigo dele, Paulo Marcos da Silva Leão, 26, foram abordados por três homens numa tentativa de assalto, em Brás de Pina, zona norte da cidade.

Uma equipe da Drae (Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos) testemunhou a abordagem e iniciou uma perseguição. O carro caiu em um canal. Durante um suposto tiroteio na rua Idumé, os cinco ocupantes do carro - três assaltantes e dos reféns - foram mortos.

O pai do soldado do Exército morto, José Antônio Bezerra dos Santos, encontrou-se na manhã de ontem com o presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, e pediu que a instituição não deixe de acompanhar o desenrolar dos fatos.

Damous disse que a OAB pretende entrar com notícia-crime no MP (Ministério Público) estadual com intenção de processar os policiais que participaram da ação. Ele condenou o fato de a própria Drae fazer as investigações e destacou que o objetivo é contornar o “corporativismo da polícia”.

“Pelas declarações do delegado (Alan Turnowsky, chefe das delegacias especializadas da Polícia Civil), está me parecendo que está havendo corporativismo”, observou Damous. Turnowsky afirmou ter considerado o procedimento dos policiais da Drae correto.

Já a polícia do Rio defendeu ontem a ação do homem que revirou o carro segundo imagens divulgadas ontem. “Se a água levasse a arma, aí sim a cena teria sido alterada”, afirmou um policial da equipe do delegado titular, Raul Morgado.

A polícia já identificou o homem que alterou a cena do crime. A polícia, no entanto, informou que não vai revelar a identidade do suspeito, para não prejudicar as investigações.