Incolor, sem cheiro e com gosto de nada. Simples ao extremo (alguém poderia dizer até: ordinária!) e, ao mesmo tempo, essencial à nossa existência. Foi dela que surgiu a vida no planeta; e é graças a ela, também, que a vida se mantém. Tão importante, que chega a ser mencionada nada mais nada menos do que 442 vezes nas versões mais modernas da Bíblia.
Estaríamos falando de alguma deusa, santa ou criatura sagrada? Para os povos antigos, que cultuavam os elementos da natureza, sem dúvida. Para nós, que vivemos na era da ciência, porém, uma mera substância líquida formada por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio - H2O ou, simplesmente, água.
Ela recobre dois terços do planeta, em um total de aproximadamente 1,32 bilhão de quilômetros cúbicos, razão pela qual muitos defendem que nosso mundo deveria se chamar “Água”, e não “Terra”.
97% dessa água estão nos oceanos (ou seja, é salgada, imprópria para o consumo humano). Dos 3% restantes (cerca de 40 milhões de quilômetros cúbicos), 25 milhões encontram-se na forma de gelo, nos pólos; 13 milhões estão nos “lençóis” subterrâneos; apenas 250 mil estão em rios e lagos; outros 13 mil quilômetros cúbicos se apresentam na forma de vapor, na atmosfera.
Não é só na Terra que a água domina. Ela é a substância mais comum na maioria dos seres vivos e dos alimentos. Representa, em média, 60% da massa corporal de um indivíduo humano adulto; 38% do peso de uma fatia de pão; 70% do total de uma batata assada com pele.
A água tem um papel essencial na manutenção do equilíbrio de nosso organismo. Se a ingerimos de menos, podemos desenvolver doenças que vão desde pele ressecada até cálculos renais. Se tomamos grandes quantidades de uma só vez, corremos o risco de ter sérios problemas no sistema nervoso.
Se ficamos sem ela, é morte na certa. Um indivíduo saudável não é capaz de suportar mais de uma semana sem ingerir uma gota sequer do líquido. Por outro lado, há relatos de sobreviventes de catástrofes naturais que conseguiram permanecer quase 60 dias sem comida, apenas tomando água.
Substância milagrosa? Para muitos, sim. O capítulo 5 do Evangelho de João, por exemplo, traz um relato a respeito de um coxo de nascença que tentava se banhar em um reservatório situado na parte norte da antiga Jerusalém denominado “Tanque de Betesda, na esperança de ficar curado de sua doença.
Segundo a crença recorrente na época, um anjo costumava se banhar naquele lugar, fazendo com que as águas do tanque se agitassem. Quando isso acontecia, a primeira pessoa que conseguisse entrar no reservatório alcançaria uma cura milagrosa para sua enfermidade.
Equilíbrio
Crenças à parte, médicos explicam que o equilíbrio é o segredo para se alcançar uma vida saudável através do consumo da água. Ou seja, ingerir, sem exageros, diversas quantidades de água ao longo dia, em um total que pode variar de acordo com o organismo, a idade e a época do ano.
“A água é essencial para o nosso organismo. Ela ajuda a manter a pressão arterial, funciona como solvente dos açúcares e sais minerais, e é essencial para o metabolismo das células”, explica o nefrologista bauruense Antônio Pádua Leal Galesso.
De acordo com ele, na ausência de água, o organismo ficará desidratado, passando a apresentar toda uma série de adversidades decorrentes desse estado de privação: “A pessoa terá problemas de pressão arterial; seu metabolismo celular não ocorrerá da maneira correta; os rins precisarão ‘trabalhar’ mais e poderão apresentar dificuldades para funcionar”, afirma Galesso.
Indivíduos que ingerem pouco líquido ao longo do dia costumam apresentar: problemas de pele; baixa produção de saliva; dificuldades de concentração; maiores chances de sofrer inflamações nos olhos e nas mucosas; cabelos opacos e sem vitalidade; deficiências de vitaminas. Os rins são os órgãos que mais sofrem com a desidratação, pois necessitam da água para eliminar as substâncias tóxicas do organismo.
“Quando falta água, dois agentes fisiológicos entram em ação: a aldosterona, produzida pelas glândulas supra-renais, e o hormônio antidiurético, produzido pelo nosso sistema nervoso. Essas duas substâncias fazem com que os rins diminuam a eliminação de água, concentrando e reduzindo o volume da urina”, explica Galesso.
Com isso, as chances de o indivíduo desenvolver cálculos renais aumentam, já que haverá maior quantidade de impurezas concentrada nos órgãos. Foi o que ocorreu com a dona de casa bauruense Valdete Leme dos Santos, 54 anos.
Antigamente, ela tinha o costume de beber pouca água ao longo do dia até que, cinco anos atrás, passou a sofrer de cálculos renais. “Pelo que o médico falou, a ‘pedra’ era tão grande que acabou danificando seriamente um dos rins”, afirma Valdete, que acabou perdendo o órgão lesionado.
Hoje, vivendo com apenas um dos rins, ela costuma se hidratar constantemente. “Tenho que me cuidar”, diz. Por pouco, aliás, a irmã de Valdete, a também dona de casa Nelci Leme dos Santos, 41 anos, não foi pelo mesmo caminho que o dela.
“Comecei a ter umas dores na altura dos rins e resolvi ir ao médico. Ele me perguntou se eu tomava bastante água no decorrer do dia, e respondi que não. Aí, ele disse que o melhor seria eu me hidratar bem, sobretudo no calor, para evitar problemas no futuro. Segui a recomendação dele e nunca mais senti incômodo algum”, garante.