08 de julho de 2026
Geral

Para idosos, hidratação é essencial

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Na medida em que vamos envelhecendo, a quantidade de líquidos no interior de nosso organismo vai diminuindo. Para se ter uma idéia de como funciona esse processo, a água corresponde a cerca de 75% a 80% do peso de um bebê recém-nascido; quando esse indivíduo estiver com 12 meses de idade, o teor cairá para 65%; na adolescência, o percentual será de 60% se ele for homem, e 55% se for mulher.

Depois que a pessoa passa dos 60 anos de idade, a água representará em torno de 50% de seu peso corporal. “É possível dizer que o idoso é um desidratado crônico. Os indivíduos nessa faixa etária vivem um equilíbrio frágil. Qualquer intercorrência pode levá-los a perder líquidos”, explica o geriatra e reumatologista bauruense Júlio Horta Filho.

Além de terem pouca água no organismo, os idosos teriam um complicador a mais, explica o especialista: “A percepção de sede costuma ser menor nas pessoas mais velhas. Com isso, eles acabam tomando menos líquidos no decorrer do dia.”

Ele alerta que idosos devem estar atentos a esse problema. “É preciso tomar água sempre, como se fosse um remédio”, diz Horta Filho, que recomenda doses pequenas (um copo) a cada uma hora e meia ou duas horas.

Tomar muito líquido ao longo do dia não quer dizer que o idoso será capaz de compensar todas as reduções naturais de água ocorridas em seu organismo. Problemas como artrite e rugas, por exemplo, estão relacionados à perda de água no interior das células.

Por mais, porém, que a pessoa tome água ao longo do dia, não será capaz de frear, reverter ou retardar um processo como a artrite (endurecimento das articulações ósseas, por conta da perda de líquido nos tecidos celulares).

No caso desse problema em específico, Horta Filho recomenda que os idosos façam atividades físicas regulares. “Se a pessoa estiver com os músculos fortalecidos e com o peso controlado, terá menos chances de sofrer danos nos ossos”, afirma.

Excesso pode matar

Aquele velho ditado que diz “Tudo que é demais sobra” também é verdadeiro quando o assunto é consumo de água. Ingerido em grandes quantidades de uma só vez, o líquido pode levar o organismo a um estado denominado hiponatremia, que é quando ocorre um desequilíbrio na concentração de determinados sais minerais - o sódio, em especial - na corrente sangüínea (eles acabam sendo diluídos e eliminados na urina).

O sódio, metal alcalino, é essencial para a regulação da pressão arterial (se sua concentração aumenta ela sobe; se diminui, ela baixa) e para a transmissão de impulsos nervosos. A carência do elemento pode levar a anorexia, náuseas, depressão, tonturas, dores de cabeça, dificuldade de memorização, fraqueza muscular e perda de peso.

Nos casos mais graves - quando a pessoa ingeriu vários litros de água de uma só vez e, ao mesmo tempo, apresenta alguma disfunção nos hormônios que regulam a eliminação de urina -, pode haver convulsões e problemas cardíacos.