São Paulo - O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que serve como referência para o reajuste de aluguéis e tarifas públicas, encerrou 2008 com uma alta acumulada de 9,81%, maior taxa desde 2004; no entanto, ficou abaixo das expectativas, as quais variaram de 10% a 15% ao longo dos últimos meses.
Para a Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pela medição, a tendência de baixa apresentada pelo indicador a partir de agosto deve continuar 2009 adentro, e os consumidores começarão a sentir no bolso o recuo dos preços em meados do primeiro trimestre.
No acumulado de 12 meses em julho, o IGP-M chegou a 15,15%, quase o dobro dos 8,38% aferidos em janeiro. Depois, passou a cair. O movimento do IGP-M no segundo semestre surpreendeu porque, diferentemente do que acontece normalmente, a valorização de cerca de 50% do dólar ante o real não resultou em pressão inflacionária. “O efeito dessa alta foi compensado pela redução dos preços das commodities no mercado internacional devido à crise”, afirma Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV.
Na avaliação de Quadros, não há o risco de repasse de elevação de custos por parte dos setores da indústria que observaram as suas matérias-primas subirem no primeiro semestre de 2008, pois a demanda externa pelos produtos brasileiros está recuando e a interna deve se desaquecer.
Por enquanto, entre as três partes que compõem o IGP-M - atacado, varejo e construção civil -, a desaceleração está mais evidente na primeira.
A carne bovina, por exemplo, teve baixa de 3,03% no atacado em dezembro, contra queda de 0,61% no mês anterior. “Isso em plena entressafra e com a alta do dólar. É sinal de que está sobrando”, comenta o economista da FGV. Devido à dificuldade de exportar, os produtores terão que mirar o consumidor doméstico e, até que consigam ajustar a oferta à demanda, os preços seguirão recuando.
O tomate teve a maior alta no varejo em dezembro: 64,8%. As baixas mais pronunciadas foram a do limão, 28,78%, e a do feijão-carioquinha, 19,03%.