11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O Diego Hypólito chorou sua derrota. E os políticos derrotados nas urnas, não


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As lágrimas de felicidade de César Cielo me comoveram na Olimpíada. Também me comoveu a consternação de Diego Hypólito depois da queda que o privou da medalha olímpica. Um atleta se prepara em média quatro anos ou mais para participar de uma olimpíada. É muito tempo, é muito sacrifício para passar tão pouco tempo durante uma competição. Nos 100 metros rasos, por exemplo, a prova não dura mais que dez segundos, mas mesmo assim o atleta se prepara, concentra-se, dá o máximo de si. E quando não consegue, chora, lamenta-se, deita-se na pista com as mãos no rosto, como se quisesse esconder-se da derrota. Quando ganha, corre para o povo, abraçado com a bandeira de seu país, vibra, salta, pula, faz caras e bocas.

Diego Hypólito é um exemplo do drama dos que perdem. Preparou-se como ninguém, passou por diversas provas anteriores, no dia D, ele falhou! Tombou diante dos nossos olhos. Chorou muito. De olhos vermelhos pediu desculpas à Nação, ao povo brasileiro. Pediu desculpas àqueles que jamais vai conhecer. Pediu desculpas apenas porque não ganhou a medalha de ouro, porque não ficou entre os três melhores. Será que ele precisava pedir desculpas? Acreditamos que não, afinal ele não fez nenhum mal ao País. As finais dos jogos são assim, não admitem tombo ou queda, um simples deslize causa eliminação da disputa.

Enfim, vence aquele que não erra ou aquele que erra menos. O contrário acontece com os candidatos derrotados; eles não choram, não lamentam a sua derrota. Para os eleitos: mesmo diante de uma péssima administração, eles não choram, não se lamentam, não fazem mea culpa, não pedem desculpas à população, não fazem nenhum gesto que simbolize o arrependimento pela má administração. Ao contrário disso voltam aos nossos lares com um sorriso cínico, como se nada tivesse acontecido; ficam como se tivessem feito um trabalho exemplar, sem desvio de verba pública, sem participação em falcatruas, e outros desmantelos. O choro do Diego nos comoveu. Mas com choro de um político derrotado nem crocodilo se comove.

Elias Brandão