Os faróis conhecidos como xenon, de coloração azul, estão na berlinda. Para circular com eles, os veículos terão de contar com equipamentos sofisticados, conforme prevê a resolução 294 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), editada em meados de outubro. Como a adaptação é inviável para muitos veículos, vários motoristas terão de retirá-los. A nova regra está em vigor deste ontem.
O Contran quer evitar que o feixe de luz xenon, três vezes mais potente que o comum, ofusque a visão do condutor que trafega em sentido contrário. O objetivo é reduzir acidentes por conta da “guerra de luzes”. Segundo informações do 2º Batalhão de Policiamento Rodoviário, só poderão utilizar faróis com gás de xenônio carros que tiverem sistema regulável de altura das lâmpadas.
Ele impede que o facho do farol suba e atrapalhe outros motoristas em caso de desnível da pista ou sobrecarga do porta-malas. Também passam a ser obrigatórios os limpadores de farol, cuja função é impedir que uma eventual sujeira mude a direção da luz, informa o Batalhão.
Quem desrespeitar a exigência incorrerá em infração grave e estará sujeito à multa de R$ 127,69, além da retenção do veículo para a devida regularização. Na prática, aquele que instalou os faróis de xenônio depois de adquirir o veículo terão de adequá-lo às novas normas. É o caso do comerciante Rogério Teixeira. Há cerca de seis meses, ele pagou caro para instalar o kit em sua motocicleta Hornet.
“Vou ter de tirar, é mais gasto. Não tem como adaptar no meu caso. 90% dos motoristas vão ter de tirar pela mesma razão. É prejuízo para todo mundo, principalmente para o comerciante que tem estoque”, comentou no mês passado. Ele optou pela lâmpada justamente por conta da luminosidade “extra”, que o auxiliava nas viagens. Mas se não retirar os faróis de xenon, poderá ser flagrado por policiais do Policiamento Rodoviário, que fiscalizará o cumprimento da regulamentação do Contran.
A Polícia Militar tomará a mesma providência na área urbana, onde condutores já foram autuados por conta do kit xenon. Segundo o sargento Silvio Carlos Rossi, da 1ª Companhia da Polícia Militar, três motoristas foram multados recentemente por conta dos faróis. No caso deles, porém, a infração ainda não foi com base na resolução 294, mas numa anterior - número 14 de 1998.
“Ela prevê equipamentos de porte obrigatório. Prevê faróis das cores branca e amarela. A azul já estava proibido. Agora foi regulamentada dentro daqueles critérios. Para a gente não muda em nada”, informa. Na opinião dele, antes da resolução 294, mesmo os veículos importados estavam obrigados se adequar à resolução antiga, que prevê apenas luzes brancas e amarelas. Foram justamente carros importados que transformaram os faróis xenon numa coqueluche nacional.
Tem quem gastou cerca de R$ 1.200,00 para instalar o conjunto em veículos bem mais simples que os das montadoras alemãs. O mercado, porém, oferece marcas mais baratas, cujo valor circunda a casa dos R$ 500,00. “Vendemos no atacado uma média de 50 a 60 jogos por mês. A quantidade de luz é muito maior e consome menos energia do carro. A lâmpada de xenônio trabalha com gás”, explica Dácio Tamarozzi, proprietário de uma distribuidora de autopeças. Ele confirma a impossibilidade de adequação à nova regulamentação por parte de vários carros, especialmente os mais simples.
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Sem filamento
A lâmpada xenon não tem filamento como na halógena. Ela é preenchida com uma mistura de gases nobres, incluindo o xenônio, sendo que o arco de luz é criado entre dois eletrodos, informa o engenheiro mecânico Marcos Camerini, especialista em carros. De acordo com ele, como a luz emite muita radiação ultravioleta, essas lâmpadas têm vidro de quartzo para filtrá-la e proteger os refletores de plástico dos novos blocos óticos dos faróis.
“As lâmpadas de 8.000K precisam de refletores especialmente projetados para elas e, quando instalados em carros comuns, dificilmente dão regulagem adequada e ofuscam todo mundo ao redor”, explica em trecho de artigo publicado no AutoMercado, no final do mês passado. Camerini explica que a instalação do kit xenon exige um certo preparo, pois tem de ter reator, fiação, chicote, além do refletor ser adequado.
“Nem todos os carros populares se prestam para esta transformação. Xenon de 8.000K só em Mercedes original de fábrica, senão não há quem agüente o ofuscamento”, conclui o texto.