Em meio ao fogão, às panelas, copos, pratos e talheres, Tatiane Gimenez Carli, 11 anos, conta que adora preparar alimentos. “Eu cozinho desde os 10 anos. Sempre vi a minha mãe fazer a comida. Um dia eu decidi que queria fazer também e pedi para ela me ensinar. O que eu mais gosto de fazer é arroz com omelete e bolo de cenoura”, diz.
Para o cozinheiro Juca Mesquita, as férias são o momento ideal para aprender a cozinhar. “Existem cursos de férias em várias áreas: artes plásticas, recreação, cinema, etc. Muito pouca coisa é feita em relação à alimentação. No entanto, as crianças podem aprender a cozinhar em casa mesmo, com atividades simples. Os pais podem, por exemplo, deixar o filho pequeno preparar o próprio leite com chocolate. Assim, a criança vai fazer testes e perceber qual é a quantidade ideal para cada ingrediente”, explica.
Não há uma idade certa para desvendar os mistérios da arte culinária. Desde bem pequenas, as pessoas podem começar a preparar os próprios pratos. Os graus de dificuldade vão aumentando com o passar dos anos. Por isso, é sempre importante tomar alguns cuidados e pedir o auxílio de adultos para lidar com objetos cortantes e fogo.
As vantagens de cozinhar vão muito além da degustação dos doces e salgados. “Quando começamos a lidar com os alimentos, damos valor maior a eles. Aprendemos os grupos de valor de nutrientes, conhecemos cada uma das vitaminas e entendemos melhor o processo de desenvolvimento de cada fruta ou verdura que estamos utilizando”, explica Juca.
Tatiane parece ter aprendido bem a manusear os utensílios de cozinha e os alimentos. Afinal, ela ajuda a mãe a preparar o cardápio e já tem fama de boa cozinheira. “Quando minha mãe liga e avisa que vai demorar, eu já vou adiantando o almoço para ela. Às vezes, quando vou na casa de alguém e a pessoa sabe que eu cozinho, ela acaba pedindo para eu fazer alguma coisa”, conta.
Todo o esforço do mestre cuca é recompensado no momento da refeição. Nesta hora, o cozinheiro divide tudo o que fez com os familiares e amigos. “Quando cozinhamos, realizamos dois milagres: o da transformação e o da partilha. Nós transformamos o que a natureza nos dá em algo comestível e aprendemos a dividir”, diz Juca.
O toque final de todo esse processo saboroso é, com certeza, o elogio. “Eu adoro fazer a comida, mas gosto mais ainda quando as pessoas falam que ela está gostosa”, confessa Tatiane.
O risco da obesidade
Uma pesquisa sobre os fatores de risco para crianças desenvolverem doenças coronárias foi realizada em seis pontos do País: Salvador (BA), Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Florianópolis (SC), Bento Gonçalves (RS) e Porto Alegre (RS). O estudo descobriu que de 20% a 40% das crianças desses municípios apresentam sobrepeso, e 10% são consideradas obesas. A arte culinária pode trazer muitas vantagens ao desenvolvimento infantil
Segundo os pesquisadores, o Brasil passou de um País de crianças desnutridas para um País de crianças obesas sedentárias. Tudo isso é fruto de uma alimentação pouco saudável e da falta de exercícios físicos.
Essas crianças que têm peso maior do que o recomendado, podem desenvolver várias doenças como colesterol alto, hipertensão arterial e espessamento da parede das artérias.
O cozinheiro Juca Mesquita dá dicas para manter uma alimentação saudável. “O ideal é fazer de cinco a seis refeições por dia. Em cada uma delas, deve-se evitar produtos ácidos e industrializados como refrigerantes, frituras, catchup e mostarda. O ideal é comer alimentos naturais como frutas e verduras, que têm baixa quantidade de calorias e são ricos em nutrientes”, aconselha.