08 de julho de 2026
Internacional

Crise diminui pedidos de divórcio

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Nova York - Há uma piada nos EUA que diz que o motivo pelo qual um divórcio é tão caro é que ele “vale o preço”. Para um crescente número de casais norte-americanos, porém, esse preço se tornou alto demais. Especialistas relatam que a crise econômica está forçando casais a permanecerem juntos, e, para quem insiste na separação, a briga agora é para ver quem não vai ficar com a casa -e as dívidas que vêm com ela.

A Academia Americana de Advogados Matrimoniais (AAML, na sigla em inglês) diz que, em uma proporção de quase dois para um, seus afiliados assistem a uma queda em pedidos de divórcios devido à recessão.

“A última vez que vi uma situação assim foi no fim dos anos 1970 e começo dos anos 1980”, afirmou Gary Nickelson, presidente da AAML. “Quando (a crise) chega ao lar, em múltiplos aspectos as pessoas começam a temer o futuro, e isso as paralisa”, continua.

Foi o que aconteceu com uma das clientes do advogado Dennis Lorance, do condado de Gaston, na Carolina do Norte. Em um casamento infeliz, ela suspeitava que o marido a traía. Mas a fábrica que a emprega diminuiu o número de horas pagas e, ao encarar os custos de um divórcio e as contas de uma vida sozinha, a mulher preferiu seguir casada.

“Vários clientes estão simplesmente pobres demais para se divorciar”, disse Lorance ao jornal “The Charlotte Observer”. “Obviamente é mais caro manter duas casas separadas do que dividir uma. Então as pessoas suportam a situação.”

Na Carolina do Norte, houve 36,2 mil pedidos de divórcio até 30 de novembro passado - o menor número da última década. O total em 2007 foi de 39 mil processos (não necessariamente finalizados).

Não há dados nacionais consolidados para o ano, mas a tendência é a mesma em vários Estados. Em Nova York, por exemplo, 10.767 divórcios foram finalizados entre janeiro e março de 2008, contra 12.979 no mesmo período em 2007, segundo o Centro Nacional de Estatísticas de Saúde.

Outro problema para os casamentos falidos é a situação do mercado imobiliário. Enquanto a casa costumava ser o bem mais valioso de um casal, hoje ninguém sabe dizer o valor real de um imóvel, o que atrasa a separação das propriedades. Para piorar a situação, segundo o site Moody’s.com, uma em cada seis casas vale hoje menos do que a sua dívida imobiliária.