10 de julho de 2026
Política

Construção de novo prédio e reparos no atual é consenso entre os vereadores

Renato Cirino
| Tempo de leitura: 4 min

Banheiros com problemas hidráulicos, computadores ultrapassados, falta de site e digitalização de imagens de documentos e arquivos de televisão, elevador que funciona de vez em quando e gabinetes por demais acanhados. Esses são apenas alguns dos principais problemas enfrentados pela Câmara Municipal de Bauru e conhecidos de perto pelos novos vereadores ontem.

Os recém-empossados no Legislativo têm um consenso a respeito do tema: a necessidade de construção de nova sede. Para os problemas atuais, atacar as questões prioritárias, como digitalização e acessos a ferramentas eletrônicas, e reparos específicos em instalações seria a solução mais viável.

Apuração feita pelo JC mostra que é unânime entre os vereadores que a construção de um novo prédio é a única solução definitiva para o caso. Como o prédio atual é tombado pelo patrimônio histórico, reformas que modifiquem demasiadamente a Câmara são proibidas. Apenas pequenas intervenções são autorizadas.

O banheiro usado pela população que vai até a Casa é pequeno e tem problema antigo de vazamento. Para o vereador Gilberto dos Santos, o Giba, (PSDB) o conserto se faz necessário. “Temos que fazer isso para poder atender melhor a população”, disse.

Nessa mesma linha segue Marcelo Borges (PSDB). Ele também cita os banheiros da Câmara como uma das modificações prioritárias, assim como José Roberto Segalla (DEM). “A instalação do banheiro é precária”, afirmou.

Borges, como todos os demais vereadores, é favorável que o Legislativo tenha uma nova sede. “É uma discussão desgastante, porém mais cedo ou mais tarde teremos que construir um prédio novo”, afirmou. “Independentemente disso, temos que fazer a manutenção da Casa. O estado do banheiro é ridículo”, completou.

Amarildo Aparecido de Oliveira (PPS) também conheceu seu gabinete. O cenário é típico de uma cena de filme de terror, porque a sala não estava sendo usada. O mau-cheiro impossibilita a presença das pessoas, provavelmente pelo acúmulo de mofo. Uma porta no interior da sala foi retirada e a janela dá para a copa da Câmara. “Como eu vou atender assim a população?”, questionou. “É o pior gabinete”, sentenciou logo após ter verificado que não foi bem no sorteio das salas. Amarildo citou que já pediu a limpeza e a instalação de equipamentos, como computador, em sua sala.

Já Fernando Mantovani (PSDB) entende que as reformas necessárias dependem da “vontade de fazer”. A falta de internet em rede e de uma página oficial da Câmara são problemas que devem ser prontamente resolvidos. “A digitalização de todas as leis é fundamental, não dá mais para o cidadão que precisa de uma lei ter que se deslocar até aqui e pedir para tirar fotocópia”, disse.

Borges também entende que a Câmara não pode ficar sem página oficial na rede de computadores. A antiga página da Casa foi desativada em 2005. “Temos que ter o site para que a população possa consultar os projetos de lei e a pauta de votação das sessões”.

Dificuldades

O vereador Jurandyr Bueno Filho (PPS) disse que o atual estágio de conservação do prédio é um desrespeito para os vereadores e a população. “A sede toda está muito velha. Eu não posso receber ninguém em meu gabinete devido ao tamanho”, criticou.

A pintura do prédio é uma das medidas urgentes para Roberval Sakai (PP). Ele lembra também que os três carros da Câmara ficam ao relento e sofrem com problemas de manutenção. Segundo presidente Luiz Carlos Rodrigues (PTB), a Casa já comprou, na gestão passada, capas para cobrir os automóveis, mas nunca foram usadas e ele não soube responder porque essa situação está ocorrendo.

A novata Chiara Ranieri (DEM) afirmou que as reformas necessárias podem ser feitas por essa legislatura. “Se os valores que foram devolvidos para a Prefeitura fossem aplicados aqui, nós já teríamos uma situação melhor e também já construído um novo prédio”. Ela se referiu aos recursos devolvidos pela presidência da Câmara à Prefeitura nas gestões passadas. Somente em 2008 houve devolução de R$ 700 mil ao Executivo.

Segalla bateu nessa mesma tecla e citou que o dinheiro devolvido nos últimos três anos daria para construir um prédio novo. Para Jurandyr, uma nova sede não precisaria ter uma construção complexa. “Não precisamos de luxo, queremos apenas atender com dignidade a população”, disse. “Os recursos devolvidos podem ser aplicados de tal forma que tenhamos logo um prédio novo”.

A devolução de recursos ao Executivo também foi criticada por Sakai. “Se fosse presidente da Câmara, aplicaria esse dinheiro em melhorias no prédio”, disse. O computadores obsoletos também são um entrave para o trabalho dos vereadores na visão de Chiara. “Sem tecnologia fica pior ainda. Enquanto não compramos computadores novos, vamos nos virando com o que tem”, comentou.

O tamanho dos gabinetes é apontado pelos vereadores como insuficiente. “Não cabe quatro pessoas aqui dentro”, comentou Giba. Chiara disse que a sala é “minúscula”, assim como Segalla. “É muito acanhado, mas vamos sobrevivendo aqui do jeito que dá”.

Outro ponto bastante citado pelos vereadores foi o estado do elevador da Câmara. Devido ao desgaste avançado de algumas peças, o equipamento só é utilizado por pessoas que tenham dificuldade de locomoção. A reportagem, com a ajuda do vereador Amarildo, não conseguiu nem abrir a sua porta.