10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Depressão ou Desconexão?


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No dia 28 de dezembro, chamada na primeira página dizia “Um em cada 10 jovens tem depressão”, e na página um belo trabalho acerca da depressão. Em 4 de janeiro, no caderno Saúde, página 3, o tema depressão se faz presente, mas em nenhum dos dois trabalhos encontramos os alertas aos pais e profissionais, para que busquem as origens do comportamento e não simplesmente rotulem como depressão.

Quando escrevi o livro O pão Bolorento do Casamento, tinha em mente o segundo volume que chamar-se-ia O Pão Bolorento do Casamento - Os filhos, onde trataria do problema, mas infelizmente, por motivos alhures a nossa votade, não dei continuidade ao trabalho, mas vejo-me no dever profissional de comparecer a esta tribuna para alertar: Em minha clínica, a maioria dos casos que chegam rotulados de depressão, não passa de desconexão. Muitos são realmente depressão, quando encaminhamos, e quanto aos outros, procuramos entender o processo que aconteceu, raconalizá-lo, corrigi-lo na medida do possível, e pronto.

A chamada depressão muitas vezes é apenas uma desconexão, quando o indivíduo desadaptado em sua vida, na família (grande maioria dos jovens), na escola, no convício com os da mesma idade, no seu trabalho etc, tem muitos momentos de frustrações que os leva a uma resposta de esquiva(fuga) que, reiteradas, são introjetadas no inconsciente, levando-o a um estado apático, onde a resposta quase sempre é “tanto faz”, aumentando as energias frustrativas (desprazer), e já sem as energias sensuais (de prazer), e cabe aqui uma lembrança: Nascemos para uma vida sensual (de prazeres), e não o encontrando em nosso viver, desconectamos-nos de nossas necessidades, passando ao que não podemos chamar de viver, mas levar a vida, pois não temos mais o prazer de responder aos estímulos que nos levaria a momentos de prazeres, pois já está introjetado no inconsciente que não vamos mais atingi-lo. Esse estado a que chamo de desconexão é muito confundido com a depressão, mas ao contrário desta, não é doença, assim como muitas vezes não responde ao tratamento com drogas medicamentosas.

Ilton Sant’Anna - psicólogo - CRP 06/53558-9