São Paulo - O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) vai abrir sindicância para determinar a responsabilidade do erro médico na constatação da morte de um bebê encontrado com vida quatro horas depois por uma faxineira do hospital estadual Leonor Mendes de Barros, no Belém (zona leste).
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, o estado do bebê, do sexo feminino, é grave, mas estável, e ele respira com a ajuda de aparelhos na UTI neonatal do hospital. Batizada de Geovanna Vida Góes, a menina nasceu prematura de seis meses, no dia 2 de janeiro, com cerca de 700 gramas. O Cremesp informou ainda não ter sido notificado e que soube do caso por “notícias de jornal”. A secretaria também iniciou uma investigação que deve ser concluída em 45 dias.
O conselho disse não ter o nome do médico que diagnosticou o natimorto, mas afirmou que deve entrar em contato com a secretaria e com hospital nos próximos dias para identificar o profissional.
Depois de aberto o processo, uma câmara de julgamento fará a coleta de provas e ouvirá testemunhas em sessões plenárias. Se for comprovado o erro, o médico pode receber uma advertência pública ou confidencial, uma censura (também pública ou confidencial), uma suspensão de até 30 dias ou ter a licença profissional cassada. No conselho não há prazo para conclusão da sindicância.
Ontem, Geovanna recebeu pela primeira vez a visita dos pais. “Ela estava toda serelepe e segurou a minha mão”, disse a mãe Renata Alves de Oliveira, 32 anos, dona de casa. Ela visitou a filha na UTI entre as 15h e as 16h. Saiu de lá com um sorriso no rosto e sensação de alívio.
O pai de Geovanna, Alexandre Góes, disse que viu os olhos abertos da filha pela primeira vez. “Eles tiraram os óculos de proteção dos olhinhos dela. Eles estavam bem abertos.” Segundo ele, a recém-nascida chorou de incômodo ao ser trocada pela enfermeira. “Por ser muito pequenininha, qualquer tipo de estresse a faz chorar. Mas ela chora bem baixinho.”
Estatítica
Fetos nascidos prematuramente na 24.ª semana de gestação - como no caso da menina Geovanna - têm 75% de chances de sobreviver. É o que diz o obstetra Sérgio Peixoto, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). “Em berçários de boa qualidade, onde é possível reproduzir as condições que o feto teria no útero”, afirma o médico.
As funções pulmonares são a principal dificuldade de bebê nas condições de Geovanna, e o fato de ela ter ficado quatro horas respirando sem a ajuda de aparelhos pode complicar o quadro de insuficiência.
Hemorragia intracraniana (causada pela fragilidade do recém-constituído sistema circulatório) e infecções são outros riscos graves que correm os prematuras, diz o médico.