A propalada reforma ortográfica, que entrou em vigor ao primeiro dia de 2009 objetivando uniformizar a escrita da língua portuguesa nos oito países do Planeta que falam a língua de Camões, não passa de uma grande “portuguesada”, o mesmo que trocar seis por meia dúzia (sem hífen?).
Tira o trema, troca o hífen, bota acento, tira acento, tudo na mais perfeita confusão num idioma que já é complexo por natureza. A inclusão das letras K, Y e W é assimilável. Quem escreve textos precisa, necessariamente, de revisor, seja na imprensa, seja na autoria de um livro de leitura, seja em anúncios, seja em nomes de estabelecimentos ou manchetes de jornais.
Mesmo quem tem curso superior naufraga nos labirintos da língua de José de Alencar e Machado de Assis. Pouquíssimos literatos e eruditos do vernáculo ousam dizer que dominam a rebeldia desse complicado idioma oriundo do clássico latim. Justamente por ter origem numa língua clássica, é tão difícil de ser assimilado por estrangeiros que tentam aprender o idioma lusitano.
O inglês, língua universal, de notória importância no Planeta, por ser oriundo de uma mistura de idiomas ditos bárbaros, é de uma simplicidade franciscana. Os verbos não flexionam, o vocabulário é pobre em sinônimos, e nem por isso a sua importância na vida dos humanos é negligenciada.
Na nossa singela e ínfima cultura do idioma camoniano, achamos que essa reforma é perfeitamente dispensável, uma vez que os outros sete países restantes que falam o português querem também se dedicar a assuntos de maior relevância.
José Batista Pinheiro, Fortaleza - CE