Os Correios colocaram em circulação, na última segunda-feira, um selo comemorativo em homenagem aos 200 anos de nascimento de Louis Braille, criador do sistema de leitura e escrita pelo tato. Estão à venda, no valor de R$ 2,20 cada um, 1 milhão de selos cuja figura ilustra o busto de bronze da personalidade, instalado em um memorial em frente à prefeitura de sua cidade natal, Coupvray, na França. Em Bauru, o Lar Santa Luzia para Cegos oferece cursos gratuitos de escrita e leitura Braille para pessoas com deficiência visual.
Jorge Herrera Lopes, monitor do curso básico de Braille e de informática oferecidos pelo Lar Santa Luzia, começou a aprender o sistema de escrita pelo tato aos 10 anos, na entidade. Hoje, com 42 anos, ele ensina outras pessoas. “Fiquei um ano aprendendo a lidar com o reglete, aparelho mais usado para esse tipo de comunicação. Depois consegui ter aulas nas escolas da rede pública usando o sistema”, diz.
Ele dá aulas no Lar Santa Luzia há quase dois anos e conta que o tempo para aprender a utilizar o reglete e o cubaritmo - esse último usado para matemática – varia de aluno para aluno. Em média, diz, o curso dura um ano. Atualmente, 18 alunos com idade entre 16 e 65 anos estão freqüentando as aulas no Lar Santa Luzia.
Não há idade mínima e máxima para o candidato se inscrever. Basta querer aprender. Além de ser professor de Braille, Lopes ainda é monitor do curso de informática oferecido pela entidade. Nessas aulas, o deficiente visual aprende a localizar o lugar de cada botão do teclado do computador e, por meio de um programa desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o DOS-VOX, ele tem a oportunidade de enviar e-mails, escrever textos e ouvir o que está escrito na tela.
“O curso de Braille, somado ao de informática, é um programa de inclusão social completo. Com a modernidade e o grande fluxo de informações, é imprescindível que os deficientes visuais aprendam as duas coisas”, diz Jorge. Para ele, um dos grandes benefícios da leitura Braille é a identificação de embalagens.
Jorge acredita que, embora as empresas ainda estejam investindo pouco em embalagens com informações em Braille, a tendência é ampliar o uso do sistema. A sua maior preocupação é com as caixas de remédios que ainda não têm escrita em Braille. “Já pensou se, por engano, uma pessoa com deficiência visual toma um remédio errado?”, preocupa-se.
O Lar Santa Luzia também desenvolve atividades, como teatro e música, visando a elevação da auto-estima dos portadores de deficência visual.
• Serviço
Informações sobre os cursos oferecidos pelo Lar Santa Luzia e doações pelo telefone (14) 3223-1754.