09 de julho de 2026
Nacional

Excesso de confiança provocou acidente no Metrô, diz promotor

Por Folhapress | AE
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O excesso de confiança dos funcionários da Companhia do Metropolitano de São Paulo e do Consórcio Via Amarela foram determinantes para o desabamento nas obras da Estação Pinheiros em janeiro de 2007. A afirmação é do promotor Arnaldo Hossepian, que concedeu entrevista coletiva ontem (06) na sede do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE). “O que levou à catástrofe foi o excesso absoluto de confiança, que fez com que certas cautelas não fossem adotadas”, disse.

A denúncia feita por ele contra 13 pessoas que trabalhavam na construção da Linha 4 do Metrô, na zona oeste da Capital paulista, foi aceita no início da tarde de ontem pela juíza da 1.ª Vara Criminal do Fórum de Pinheiros, Margot Chrysostomo Correa Pegossi. Os réus - oito funcionários do consórcio e cinco do Metrô - responderão à Justiça por homicídio culposo (sem intenção) causado por desabamento. Sete pessoas morreram no acidente.

Na denúncia de 36 páginas, o promotor aponta que houve negligência e imprudência por parte dos acusados. Com isso, os eles passam a ser réus no processo.

O promotor decidiu responsabilizar criminalmente um ex-diretor do Consórcio Via Amarela, um ex-gerente do Metrô de São Paulo e outros 11 técnicos pela cratera. O Metrô e a direção do Consórcio Via Amarela não se pronunciaram sobre a acusação. Procurados ontem, ambos afirmaram que ainda não tiveram acesso à denúncia apresentada pelo Ministério Público.

Para a acusação, Hossepian Jr. utilizou laudos levantados por diversas investigações, com destaque para as conclusões do Instituto de Criminalística (IC). O promotor recebeu o laudo em agosto de 2008, e o documento aponta que a tragédia não foi resultado de uma fatalidade, conforme parecer do Consórcio Via Amarela, responsável pela construção da nova linha de metrô. Segundo o laudo, não há um motivo único do desabamento, mas sim cinco fatores que prevaleceram como causas, além de uma série de outros fatores que contribuíram para o acidente.

O desabamento nas obras aconteceu no dia 12 de janeiro de 2007, matando sete pessoas: três que iam a pé para a estação de trem, duas que estavam em uma lotação engolida pelo buraco, um office-boy que circulava pela região e um motorista de caminhão que estava na superfície do canteiro.

O principal nome denunciado - o engenheiro Fábio Andreani Gandolfo - era, naquela época, diretor do Via Amarela responsável pelo contrato.

Os integrantes do consórcio e do Metrô foram acusados pelo Ministério Público Estadual de negligência e de imprudência, com a argumentação de não terem tomado providências que poderiam evitar a cratera.

Eles foram enquadrados pelo promotor Hossepian em artigos do Código Penal que tratam de desabamento seguido de morte - homicídio considerado culposo (sem intenção).

A maioria dos acusados é de técnicos, como engenheiros, projetistas e fiscais. Nenhum membro da direção do Metrô foi alvo da denúncia.