Gaza - Um tanque israelense matou ao menos 40 palestinos ontem em um ataque a uma outra escola dirigida pela ONU (Organização das Nações Unidas) em Gaza, disseram fontes médicas de dois hospitais. Na noite de anteontem, um ataque a uma escola administrada pela organização deixou ao menos três civis palestinos mortos.
Dois disparos de tanque ocorreram do lado de fora da escola, lançando estilhaços em pessoas que estavam dentro e fora do prédio. Fontes afirmaram que 450 pessoas estavam refugiadas na escola para escapar dos bombardeios em outros bairros da cidade.
O ataque de ontem foi contra a escola Asma, no campo de refugiados de Chati, administrada pela UNRWA, a agência da ONU para os refugiados palestinos, afirmou o porta-voz da mesma, Adnan Abu Hasna. E
O porta-voz da UNRWA, Christopher Gunnes, qualificou o fato de “uma clara violação humanitária e da legislação internacional’’, que proíbe disparos contra escolas, hospitais e instalações humanitárias.
Crianças
Ainda que conflitantes, as estimativas de crianças palestinas mortas na ofensiva israelense sobre a faixa de Gaza ultrapassaram uma centena ontem, motivando alertas de que os bombardeios e o bloqueio contínuo podem motivar a nova geração a apelar à violência.
Em Londres, a ONG “Save the Children’’ relatou que sua “estimativa conservadora”, feita antes do ataque à escola no campo de refugiados de Jabaliya, era de cem crianças mortas nos últimos 11 dias. Fontes médicas de Gaza ouvidas pela agência France Presse contabilizaram 159 crianças mortas no mesmo período, enquanto o “Financial Times’’ atribuiu a autoridades médicas de Gaza o número de “ao menos 115”.
A UNRWA protestou perante o governo israelense pelo ataque e exigiu o início imediato de uma investigação imparcial sobre os fatos. Antes mesmo da ofensiva israelense, cerca de 50 mil crianças sofriam de desnutrição em Gaza - decorrência do bloqueio ao território, que tem uma das mais altas taxas de crescimento populacional do mundo (3,42%), segundo dados da CIA.