09 de julho de 2026
Geral

Cai número de novos casos de hanseníase

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

A hanseníase recua no Estado de São Paulo numa demonstração de que informação, prevenção e tratamentos eficazes ainda são a melhor arma contra a doença que não tem vacina. A queda no número de novos casos no ano passado foi de 10% na comparação com 2007. Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde apontam 1.839 novos casos em 2008 contra 2.044 no ano anterior, o que representa 205 a menos.

A hanseníase não mata, porém é altamente incapacitante. Dos casos novos, cerca de 30% já são diagnosticados com algum grau de incapacidade e 13% com grau de incapacidade grave - a doença atinge, principalmente, mãos e pés. A perda da sensibilidade é irreversível e, em muitos casos, o paciente perde os movimentos dos membros afetados.

O presidente da Associação Internacional de Hansenologia, o médico Marcos Virmond, diretor-técnico do Hospital Lauro de Souza Lima, localizado em Bauru, atribui a queda no número de registro da doença a profissionais mais bem preparados, unidades de saúde melhor equipadas e o acesso gratuito a medicamentos.

Como o Lauro de Souza Lima é referência mundial para o tratamento, o jovem Deiviti Bezerra dos Santos, 18 anos, se deslocou de Boa Vista, em Roraima, para Bauru. Aqui ele encontrou tratamento para a limitações provocadas pela hanseníase. Sob cuidados da equipe do Lauro de Souza Lima, o rapaz já percebe melhoras após duas cirurgias no pé.

O paciente portador da doença tem agendadas cirurgias corretivas nas duas mãos, para recuperar parte dos movimentos. Ele comentou que, desde o início do tratamento, em outubro do ano passado, percebeu novas perspectivas de melhora na qualidade de vida, pois em Roraima “não tem os recursos”.

Virmond avalia que a curto e a médio prazos não haverá uma vacina disponível contra a hanseníase, apesar de avanços e empenho no segmento de microbiologia. Ele comenta que fatores genéticos e da imunologia impossibilitam a criação de uma vacina eficaz contra a doença. “Ao contrário de outras doenças que você consegue controlar muito bem e, inclusive, erradicar com uma vacina, como no caso da varíola. Mas há a BCG, que é de proteção contra a tuberculose e que tem um efeito protetor muito forte contra a hanseníase”, completa.

Amanhã, último domingo do mês de janeiro, é o Dia Mundial da Hanseníase. Virmond orienta as pessoas a ficarem atentas aos sinais da doença. Ele cita como sintoma precoce o aparecimento de mancha de cor mais escura do que a pele normal e que apresenta em seu interior alteração de sensibilidade.

De acordo com informações da Secretaria de Estado da Saúde, a transmissão ocorre pelas vias respiratórias, em contato próximo prolongado com uma pessoa que tenha a doença e não faça tratamento. Com a primeira fase do tratamento, oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o paciente já deixa de ser transmissor. O tratamento dura de seis meses a um ano. Em alguns casos, a hanseníase pode ser confundida por eczemas, micoses, alergias, neuropatias diabética e alcoólica.