Iacanga O Grupo Especial de Resgate (GER) do Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic) de São Paulo explodiu ontem entre o final da tarde e início da noite os cerca de 80 quilos de dinamites apreendidos pela Polícia Civil anteontem em Iacanga (50 quilômetros de Bauru).
Dois técnicos do GER fizeram um teste, inicialmente, para determinar as condições dos explosivos cujo nome correto é emulsão encartuchada. Após o teste, as outras 53 dinamites foram detonadas em grupos de cerca de 10 unidades. A Prefeitura de Iacanga encaminhou uma retroescavadeira para fazer os buracos aonde os explosivos foram acondicionados para as explosões, que começaram após às 20h30.
Inicialmente, os técnicos do Deic haviam escolhido um local bem próximo ao tanque da Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) para fazer as detonações. No entanto, eles foram alertados pelo chefe de gabinete da Prefeitura, Moacir Bueno, que a proximidade com o tanque poderia comprometer a estrutura da obra. As detonações acabaram ocorrendo um pouco mais distante, perto do rio Tietê. A ação dos peritos do Deic foi acompanhada pelo delegado do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) de Bauru, Roberval Fabro.
Segundo André Santos, investigador do Deic, o explosivo apreendido pela polícia, geralmente, é utilizado na desobstrução de estradas e na construção civil. Para serem explodidos eles precisam de um detonador. “Bem acondicionadas não há risco de explosão. São equipamentos padrões fabricados por fábricas regulares”, comenta.
Ele lembra que uma pessoa leiga não conseguiria fazer uso das dinamites. “A pessoa leiga não poderia detonar porque há necessidade do conhecimento referente ao emprego deste explosivo. Existem pessoas que trabalham em pedreiras que são qualificadas e que fazem este tipo de operação”. O investigador revela que este tipo de explosivo não tem grande valor no mercado, mas que tem conhecimento do seu uso por criminosos. “Há registro sim”, confirma.
Conforme o JC divulgou na edição de ontem, três homens e três menores foram detidos para averiguação após serem flagrados com um carregamento de 54 bananas de dinamite apreendidas na estrada rural do Areião, a 2 quilômetros da cidade. Todos os suspeitos moram no bairro Estância de Iacanga.
O delegado titular de polícia da cidade, Doniseti José Pinezi, abriu um inquérito para apurar o caso. Segundo ele, ainda não foi possível determinar a qualificação da empreiteira responsável pelas dinamites que estavam escondidas em um buraco no terreno onde está sendo construída a ETE. No entanto, segundo o delegado, acredita-se que a empresa seja da região de Ribeirão Preto.
“Eu já instaurei inquérito policial e os peritos vão me fornecer um laudo dizendo que o material realmente é explosivo. Então, eu tenho a prova material e falta agora apurar a responsabilidade de cada um dentro do inquérito policial”, comenta Pinezi. “Logicamente, nós vamos apurar também a responsabilidade da pessoa que não teve o devido cuidado para aguardar este material e acabou nas mãos destas pessoas”, conclui.