Em algumas pequenas cidades da região ainda é possível encontrar praças que são verdadeiros pontos de encontro. Em Bauru, a história da Praça Rui Barbosa, que neste ano completará 95 anos desde sua inauguração e também onde está “marco zero” da cidade, tem tudo a ver com esse romantismo do passado.
De acordo com Luciano Dias Pires, pesquisador da história da cidade, jornalista editor do caderno Bauru Ilustrado, a história da Praça Rui Barbosa é diferente de todas as outras existentes na cidade. Ele conta que era nela que os jovens de Bauru se reuniam aos finais de semana para a esperada paquera.
“Os homens andavam no sentido contrário ao das moças e se rolasse um olhar ou mesmo uma ‘piscadinha’ poderia ser o início de um namoro”, conta. “Muitos casais se conheceram dessa forma na Praça Rui Barbosa, era o chamado futing”, ensina.
De acordo com Pires, a praça, inaugurada em 1914, passou por diversas grandes reformas, mas todas até a última, realizada na década de 80, foram removendo as características originais do projeto.
O pesquisador lembra que haviam ali dois lagos enormes e duas pontes feitas de uma material que simulava a madeira. O coreto da praça foi o palco de grandes apresentações musicais e de passagens de ilustres visitantes por Bauru. “Hoje, infelizmente, tudo está abandonado. O coreto está se deteriorando e muita história se perdendo”, lamenta.
Pires conta que havia uma romantismo no ar ao se visitar a Praça Rui Barbosa. Ali, milhares de pessoas se reuniam todo final de semana para assistirem uma apresentação musical ou mesmo para o passeio. “Havia uma fonte luminosa na praça, que o prefeito ex-prefeito Nilson Costa tentou recuperá-la, mas não foi possível porque a sua reativação seria muito custosa”, diz.
Pires também relembra a beleza de praças como a Dom Pedro II e a Machado de Mello. A primeira com passar dos anos teve de ceder espaço para grandes edificações, como a Câmara Municipal e o prédio dos Correios. Já a segunda perdeu um pouco do seu glamour com a desativação da estação ferroviária. “A Machado de Mello foi considerado o maior terminal rodoviário a céu aberto do Brasil. Era ali que as pessoas desembarcavam e embarcavam nos ônibus que chegavam e saíam da cidade”, conta.