08 de julho de 2026
Geral

Venda de carro zero continua em alta, apesar da crise

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Apesar do mundo estar vivendo uma de suas piores crises econômicas, alguns setores parecem nem tomar conhecimento disso. O setor automobilístico é um deles. Depois que o governo federal reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros, o preço de um veículo zero quilômetro caiu e as vendas continuam aquecidas, até mais do que no ano passado, que foi considerado o melhor ano para a indústria automobilística.

De acordo com Renato Amantini, diretor de uma concessionária de veículos, neste mês, até na semana passada, as vendas estavam 30% acima do resultado obtido no mesmo período do ano passado. Isso significa que as vendas de veículos novos este mês está sendo maior que as vendas registradas em janeiro do ano que bateu todos os recordes no setor.

Em Bauru, a venda de carros zero dobrou em 2008. A média mensal de emplacamentos passou de 460 para 930. Houve queda no último trimestre do ano passado, mas o governo agiu rápido e a redução do IPI levantou novamente as vendas, num patamar ainda maior do que do ano passado. Segundo Amantini, hoje, o carro zero está mais barato do que em 2008.

A redução do imposto vale até 31 de março deste ano. Para carros populares, com motor até 1.000 cilindradas, o IPI caiu de 7% para zero. Para automóveis entre 1.000 e 2 mil cilindradas movidos à gasolina, a redução foi de 13% para 6,5%. Nos carros flex (bicombustível) e movidos a álcool, a alíquota mudou de 11% para 5,5%.

A facilidade de financiamento, com parcelas a perder de vista, foi uma das principais responsáveis pelo aquecimento das vendas tanto de carros novos quanto seminovos. Essa facilidade fez com que muitas famílias que sonhavam em ter um carro na garagem finalmente tivessem esse sonho realizado.

Foi o que aconteceu com a professora Gislaine Correia de Oliveira. Depois de passar um ano pegando dois ônibus para trabalhar e outros dois para voltar para casa, ela decidiu comprar um carro seminovo em julho do ano passado. Apesar do carnê com um monte de folhinhas de parcelas a serem pagas, ela ficou muito contente. “Agora, eu entro no carro na porta de casa e desço na porta da escola e vice-versa”, comemora. O que antes demorava uma hora, agora são apenas dez minutos.

Ela lembra que além do tempo que perdia entre um ônibus e outro, ainda tinha de carregar livros, cadernos e provas. “Tem os prós e contras de ter um carro. Se por um lado existe o gasto com a prestação, documentação, combustível, seguro, IPVA, por outro, existe o conforto e isso não tem preço”, afirma.