08 de julho de 2026
Geral

A dor de perder um bicho de estimação

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Imagine que, certo dia, sem que ninguém veja, você saia andando a esmo pela cidade. Depois de caminhar por várias horas, você, que passou sua vida inteira confinado entre os muros que cercam sua residência, não sabe como voltar para a casa e, para piorar a situação, não é capaz de falar uma palavra que seja: não consegue pronunciar seu nome, informar seu endereço ou mesmo dizer quem são seus familiares.

Pense, agora, como estariam as pessoas em sua casa, sabendo que você desapareceu e não tem condições de retornar sozinho para o seu lar. A empregada doméstica Veronice Cardoso, 47 anos, conhece bem essa situação. No final do último mês, ela viajou para Avaré, a fim de comemorar a passagem do ano ao lado de parentes.

O que era para ser um momento de alegria e descontração acabou se convertendo em pesadelo, já que quando retornou da viagem, Nice - modo como é conhecida - não encontrou seus dois cães de estimação, um boxer chamado Átila e um vira-latas de nome Renzo.

Hoje, passados mais de 20 dias do sumiço dos animais, Nice se esforça para acreditar que seu drama terá um final feliz, embora não esteja sendo nada fácil para ela conservar intacta a crença de que algum dia ainda voltará a ver Átila e Renzo.

Nice não foi capaz de conter as lágrimas enquanto concedia entrevista ao Jornal da Cidade a respeito do desaparecimento de seus cães. “Eles eram muito apegados a nós. Nunca se afastaram de casa”, explica ela.

Perder um animal de estimação não é um drama exclusivo de Nice. Para se ter uma idéia, nas últimas semanas, o caderno de Classificados do JC veiculou mais de uma dúzia de anúncios referentes a bichos desaparecidos: entre eles, duas calopsitas, um gato e vários cachorros de diferentes raças.

Alguns desses dramas tiveram desfecho positivo, caso do da cocker Ágata, que desapareceu no último dia 2 e conseguiu ser reencontrada menos de 24 horas depois. Outras histórias - como a da poodle Sasha Maria, sumida na noite de Ano Novo - vêm se mostrando bem mais difíceis de serem resolvidas.

A situação específica de Sasha Maria possui dois agravantes: primeiro, o fato dela ter 13 anos, ou seja, já tem idade bastante avançada (se ela fosse humana, seria como se estivesse com 78 anos); além disso, ela tem um nódulo sob uma das axilas, e sua dona, a aposentada Fugie Terasawa Tazaki, 53 anos, acredita que possa se tratar de algum tipo de câncer.

Outro caso que vem se mostrando bastante complicado de ser resolvido é o de um jovem poodle que vem sendo criado pela maestrina e pianista bauruense Hilda Campos, 53 anos.

O filhote, que recebeu o nome provisório de Zé Bob, foi encontrado no estacionamento de um supermercado no Jardim Estoril, há mais de dois meses. Hilda acredita que ele tenha pertencido a alguma criança a diz que gostaria muito de devolvê-lo a seu dono original.

De acordo com as regras atualmente em vigor em Bauru (lei número 4.330 de 1998, que trata da posse responsável), os proprietários são os únicos responsáveis pelos cuidados necessários ao bem-estar dos animais de estimação - inclusive, evitar que eles se percam pelas ruas da cidade, correndo o risco de ser atropelados, por exemplo

. Em caso de denúncias de maus-tratos, o dono do bicho será notificado pela Secretaria Municipal de Saúde. Se houver reincidência, a pessoa ficará sujeita a uma série de penalidades, inclusive o recolhimento do animal, dependendo da gravidade da situação.

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Posse responsável

A delegada regional da sociedade de proteção ambiental Mountarat, que também atua na defesa dos animais, Damair Pereira de Almeida, lembra que as pessoas têm de se conscientizar a respeito da importância da posse responsável.

“Os animais são tutelados pelo Estado. Pela lei, o dono é como um ‘fiel depositário’: tem oferecer alimentação, água, remédios e local adequado ao bicho”, explica.

Na visão de Damair, muitas pessoas ainda não se deram conta desse fato e encaram os animais como objetos. “Tem gente que pega um filhote porque acha muito bonitinho, mas não sabe que ele chora, faz sujeira e dá gastos. Tão logo surgem os primeiros problemas, descarta o bichinho como se fosse uma mera ‘coisa’”, frisa.