Desde o Ano Novo, Pit (uma pequena cadela fêmea, resultado do cruzamento de pintcher com vira-latas) não é a mesma. Já não tem a mesma vontade de brincar de antigamente. Passa a maior parte do tempo deitada no sofá, olhando em direção da rua. Se alguém pronuncia, porém, o nome “Sasha Maria”, ela se levanta num pulo e sai em disparada rumo ao portão, para depois retornar cabisbaixa para o seu canto.
Quem seria essa tal Sasha Maria, capaz de tornar infelizes os antes alegres e festivos dias da pequena Pit? Anos atrás, a então funcionária do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC/USP, o Centrinho) Fugie Terasawa Tazaki, hoje com 53 anos, tornou-se amiga da família de uma paciente vinda do Mato Grosso.
Graças à amizade, Fugie acabou conhecendo a poodle Sasha Maria, de propriedade da paciente, e se afeiçoou por ela. Dois anos atrás, a família da cadela precisou se mudar para um apartamento.
Só que Sasha Maria não se adaptou ao novo lar. “Sempre que ela vinha aqui em casa (no Jardim Brasil), costumava passar a noite inteira chorando depois que a levavam embora. Os vizinhos começaram reclamar do barulho, e achamos melhor que ela ficasse de vez comigo e com meu marido”, explica Fugie, que diz ter adotado a poodle como sua “filha”.
Na época, Paulo, marido de Fugie, resolveu levar Pit para fazer companhia para a poodle e assim surgiu uma grande e bela amizade. “As duas se gostavam demais. Nunca brigaram”, afirma a proprietária das cachorras.
A felicidade da família foi interrompida, porém, no último Réveillon. “Estávamos na casa do meu irmão (também localizada no Jardim Brasil), naquele dia. Faltavam alguns minutos para a virada do ano, e começaram a soltar bombas e rojões ali perto. Acho que a Sasha Maria se assustou com o barulho e fugiu. Quando percebi, ela já não estava mais lá”, conta.
Fugie conta já ter vasculhado praticamente todos os bueiros e valas existentes nas imediações de sua casa, em busca do corpo de Sasha Maria. “Fui até a (rodovia) Marechal Rondon, mas não encontrei nada”, garante.
Na opinião de Fugie, Sasha pode estar viva. “No começo, chorei muito. Hoje, penso comigo mesma: ‘Tudo o que era possível fazer para reencontrá-la eu fiz. Não tenho como mudar o passado’. Se alguém a achou e quiser ficar com ela, eu não ligo, mas peço, por favor, que a trate com carinho. Ela já está de idade (tem 13 anos) e tem um nódulo embaixo de uma das axilas”, diz.
Até o momento, Pit é quem vem demonstrando mais dificuldades para se recuperar do desaparecimento de Sasha Maria. “Nas primeiras semanas após sumiço, ela não era capaz de se levantar do sofá”, garante Fugie.
Serviço
Quem tiver informações que possam levar ao paradeiro da poodle Sasha Maria pode entrar em contato com Fugie Terasawa Tazaki pelo telefone (14) 3223-5173.