“O produto chinês não concorre diretamente com o nosso. Porque fazemos basicamente moda para o mercado interno. Eles fazem produtos mais massificados. Na exportação é uma concorrência. Jaú exportava de 8 a 10% da produção, esse percentual caiu bastante”, ressalta o vice-presidente do Sindicalçados, Caetano Bianco Neto.
Segundo ele, existe uma questão cultural que atrapalha o comércio de sapatos femininos no exterior. “O mercado europeu e norte –americano compram com bastante antecedência. Eles fabricam um produto e vendem aquilo, ditam a moda. No mercado externo a concorrência é grande, eles ganham em função do preço, fabricam em série.”
Na opinião de Bianco Neto a importação do produto chinês foi muito maior no ano passado do que em 2007. “Eles maquiaram o preço e desovaram o produto destinado a Europa e Estados Unidos no Brasil. O derrame de produtos chineses prejudicou os produtos brasileiros. As indústrias diminuíram bastante. Só de falar em crise, o mercado se retrai.”
De acordo com ele, os fabricantes estão na expectativa da nova estação. “A sazonalidade nos ajuda porque o lojista, mesmo aqueles que não venderam bem em dezembro, têm que comprar para a próxima estação, outono inverno porque ele não tem estoque.”
Rescisões foram 17% maiores em 2008
No ano de 2007 a indústria calçadista de Jaú dispensou quatro mil trabalhadores. No ano passado as rescisões somaram 4.700, cerca de 17% a mais, segundo dados do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Calçado de Jaú.
As dispensas não significam que no município tenha quase 5 mil desempregados do setor, frisa a presidente da entidade Sônia Regina Fernandes. “O funcionário sai de uma e entra na outra, com raras exceções. Demora no máximo três meses. Temos percebido que muitos recebem o seguro desemprego, mesmo já estando empregado. Há empresas que ficam com o trabalhador sem registro para que ele possa receber o benefício.”
Segundo ela algumas empresas dispensaram de 10 a 15 funcionários. Uma delas dispensou 40 e outra 200. As que mais dispensaram estavam com problemas alheios a crise. “Uma delas fechou as portas e está funcionando em outro local e já chamou os trabalhadores de volta.”
Para ela a crise não está instalada na cidade. “Nós ficamos preocupados e estamos na fase de observação. Se o setor enfraquece, o comércio vai junto. Em dezembro é normal as rescisões. Em janeiro começa com menos rescisões é o que a gente tem acompanhado. Esse janeiro está normal. Se começarmos fevereiro com muitas demissões ai é sinal que o setor ficou fragilizado.”
Para o vice presidente do Sindicalçados, as rescisões em dezembro de 2008 foi um pouco maior. Ele alega que novas empresas foram abertas durante o ano e em função disso, o número de dispensas também aumentou.