Era uma vez dois jovens amigos santistas, nos anos 50. Eles gostavam de andar de bicicleta pela orla marítima; iam para todos os lugares de Santos, São Vicente e Guarujá. Mergulhavam com máscaras, pés-de-pato e “snorkels”, em busca de restos de navios naufragados a 100 ou 200 metros da praia. Subiam o morro da Nova Cintra, entravam em cavernas feitas por negros escravos fugidos no Quilombo do Jabaquara.
Remavam em baleeiras do Clube de Regatas Saldanha da Gama, do qual eram sócios, percorrendo o trecho da Ponta da Praia. Desciam perto da antiga fortaleza de São João (Círculo Militar de Santos) do outro lado da ilha de São Vicente. Adentravam na mata do morro do Cinzano, seguiam uma antiga estrada de ferro de bitola estreita que acabaria numa velha fábrica de acumuladores. Sempre em busca de aventuras.
No escurinho do cinema, driblando a vigilância do guarda civil, trocando beijos e abraços calorosos, cada um com sua namoradinha. Os passeios com garotas, percorrendo a areia da praia, numa noite de luar. Os bailecos em casas de amigos ou amigas, tomando um “cuba libre”, dançando ao som de um “rock-and-roll”.
Agora já se passou um ano do óbito de Gilberto Anastácio Nogueira, meu amigo de adolescência. Momentos que permanecem vivos dentro de mim.
Gilberto Sidney Vieira - RG 3.476.358-2