08 de julho de 2026
Nacional

Senado: PSDB ameaça punir traições


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Brasília - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse ontem que o partido pretende punir os parlamentares que não votarem no senador Tião Viana (PT-AC) para a presidência da Casa. Apesar de esperar apenas uma dissidência entre os tucanos contra Tião - o senador Papaléo Paes (PSDB-AP)-, Virgílio disse que pretende pedir a intervenção do PSDB no Amapá contra o senador. Papaléo já declarou voto em José Sarney (PMDB-AP).

“O Papaléo fará sua escolha. Se ele mantiver posição de apoiar o Sarney, vou solicitar uma intervenção do PSDB do Amapá e ele não será indicado por nós para cargo algum”, disse.

O líder tucano desafiou os peemedebistas a punirem o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) pelo seu apoio a Tião ao insinuar que o PMDB não tem força para controlar sua bancada. “Eu queria ver a demonstração deles como eu faço com o Papaléo”, afirmou.

Jarbas decidiu apoiar Tião publicamente porque considera que os aliados de Sarney, especialmente o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), não têm condições políticas de voltar ao comando da Casa. No final de 2007, Renan afastou-se da presidência do Senado após responder uma série de processos de cassação no Conselho de Ética por supostamente receber recursos de uma empreiteira para pagar pensão à sua filha.

O PSDB, por sua vez, não seguiu o DEM no apoio a Sarney por considerar que Tião tem melhores condições de comandar a Casa neste momento. O tucano minimizou eventuais traições na bancada do PSDB, composta por 13 senadores, mesmo com o voto secreto no plenário do Senado.

“Meu partido não tem histórico de traição. Teremos no mínimo 11 votos para o Tião. Se eu partir da premissa que vão trair, então os senadores devem ir ocupar cargos no governo ou no Ministério de Minas e Energia”, disse Virgílio em referência ao ministro Edison Lobão.

Além de Papaléo, os tucanos acreditam que Álvaro Dias (PSDB-PR) também possa votar em Sarney.

Aliança

Apesar da inusitada aliança entre PT e PSDB para o comando do Senado, Virgílio disse que a decisão dos tucanos não tem influência na disputa entre os dois partidos pela presidência da República em 2010. “Queremos ganhar o candidato que o PT lançar nas urnas. Como posso duvidar a lealdade de alguém que passou seis anos ao sol?”, questionou referindo-se a Tião.

Assim como Virgílio, o petista disse que a aliança entre PT e PSDB está desvinculada de 2010. “O senador Virgílio não me pediu nada em relação a 2010. Temos responsabilidade primeiro com o Brasil e com o Legislativo”, disse o candidato.

Tião diz contar com 43 votos no Senado

Aliados do senador Tião Viana (PT-AC) contabilizam o apoio de 43 senadores à candidatura do petista, o que lhe garantiria vitória nas eleições de amanhã. O senador José Sarney (PMDB-AP), que disputa o cargo com o petista, teria pelas contas do grupo pró-Tião o apoio de 38 senadores. A “virada” de Tião ocorreu, segundo os seus aliados, devido à decisão do PSDB de apoiar o seu nome na disputa.

“Estamos realistas, computados 43 votos para a minha candidatura contra 38 do senador Sarney. Chegamos a esses números ouvindo e conversando com cada senador. Somos devedores a sete partidos que declararam apoio à minha candidatura”, disse Tião.

O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que declarou apoio ao petista, disse esperar que pelo menos quatro ou cinco senadores do PMDB votem em Tião amanhã. “É uma eleição muito difícil, imprevisível, mas acho que a dissidência no PMDB vai ficar entre quatro e cinco votos”, afirmou.

Jarbas desistiu de apoiar o candidato do seu partido porque argumenta que os aliados de Sarney, como o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), não devem estar no comando da Casa.

“O Sarney não tem condições de fazer isso [boa gestão] porque o entorno dele é muito ruim. Eu acho que o senador Tião, quando se colocou como candidato, já tinha experiência no episódio que resultou no afastamento do senador Renan. Ele conduziu a Casa de uma maneira muito equilibrada”, disse em referência ao período que Tião assumiu a presidência do Senado logo após o afastamento de Renan.

Na opinião de Jarbas, o Senado vai estar dividido independentemente da vitória de Tião ou de Sarney. “Será um Senado dividido, embora não nos interesse agora ter uma Casa dividida”, afirmou.