Em um dia de grande coincidência, a mesma equipe do Corpo de Bombeiros de Bauru foi responsável pela vida de duas crianças chamadas Leandro. A primeira delas, de apenas 20 dias, havia se asfixiado com leite por volta do meio-dia de ontem, enquanto dormia, mas acabou sendo salva pelas mãos do cabo Luciano Aparecido Lopes e dos soldados Willian Nocerino e Walnei Donizete Gonçalves.
Quatro horas mais tarde, também foram eles que auxiliaram no procedimento do parto que trouxe outro Leandro à vida. Embora tenha nascido com alguns dias de antecedência, dando um susto nos pais, o bebê foi encaminhado com saúde à Maternidade Santa Izabel.
Nascido há apenas 20 dias, Leandro da Silva Oliveira Jr. já viveu dois episódios marcantes. Aos quatro dias perdeu a mãe vítima de infarto. Ontem, próximo ao horário do almoço, nasceu de novo. Engasgado com leite e, foi salvo pelas mãos dos bombeiros no meio da rua onde mora, na quadra 13 da rua Braz de Flora, no Parque São João. No mesmo endereço, num terreno comprido, estão instaladas sete casas. Elas abrigam apenas integrantes da família dele.
O bebê havia acabado de tomar uma mamadeira, havia arrotado e estava no carrinho. “Uma sobrinha perguntou se ele estava dormindo. De repente, chorou”, comenta a tia Kelly Cristina de Moraes. Na seqüência, conta ela, Leandro começou a ficar vermelho. Com a sugestão de uma cunhada, ela aspirou seu nariz e o recém-nascido voltou a chorar. Bom sinal: ele estava respirando.
Mas segundo Kelly, neste meio tempo, ligaram para o Corpo de Bombeiros, que prestou orientações por telefone para o salvamento. “Mas aí ele piorou de vez. Pedimos socorro. Um vizinho iria levá-lo de carro ao Pronto-Socorro, quando avistamos a viatura”, comenta. O cabo Luciano, no meio da rua, iniciou uma manobra de desobstrução das vias áreas para que o leite fosse eliminado.
“Consegui na primeira tentativa. Foi rápido porque líquido é mais fácil. Comecei na rua porque não podia perder tempo”, explica o bombeiro, gratificado com o salvamento. A viatura levou cerca de quatro minutos para chegar ao endereço. “Nós estávamos no PS. O salvamento foi o resultado do tempo-resposta e da manobra. Com criança, a gente sente uma emoção a mais”, comenta o soldado Walnei, que dirigiu a viatura com o giroflex e a sirene ligados.
Quando chegaram, o procedimento foi acompanhado por parentes, vizinhos e curiosos. “Tinha gente chorando, desesperada. Graças a Deus conseguimos resgatar”, acrescenta o soldado Willian, cuja função era preparar os materiais que seriam utilizados no resgate. Por precaução, foi ministrado oxigênio em Leandro, conduzido ao PS Infantil. Quem o acompanhou foi a tia Valéria Aparecida Dias de Oliveira, irmã da mãe do bebê, Creise Regina Gonzaga da Cruz, 40 anos.
Quando soube que o sobrinho estava afogado, ela voltava do trabalho. “Minhas pernas até falharam. Os bombeiros foram maravilhosos. Que Deus os abençoe”, profetiza com o sobrinho no colo.
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A mãe
Quando começou a infartar, há 16 dias, Creise Regina Gonzaga estava deitada ao lado de Leandro, que havia acabado de mamar. O bebê dormia, quando ela pediu socorro à filha Jéssica da Conceição Cruz, de 12 anos, agora órfã de mãe e pai.
“Ela pedia para a menina não deixá-la morrer”, comenta a tia das crianças, Kelly Cristina de Moraes. Além da garota, estavam em casa o marido de Creise, Leandro da Silva Oliveira, e a mãe dele. Creise sentiu náuseas e espumou pela boca. Ela ainda deixou o filho Carlos Alexandre Gonzaga da Silva de 19 anos, criado pela mãe dela. Jéssica ficou aos cuidados de uma das tias, assim como Leandro.
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“Apressado”, bebê nasce em casa com ajuda dos bombeiros
Leandro Mendes Alves antecipou sua chegada ao mundo em 15 dias e acabou nascendo em casa, pelas mãos dos homens do Corpo de Bombeiros. A pressa foi tanta que, quando a equipe de resgate chegou à residência, na quadra 2 da rua Marcelino Granha, no Parque Jaraguá, só restou cortar o cordão umbilical que ligava a mãe à criança.
O bebê é o quinto filho da dona de casa Ana Paula Souza Mendes, 27 anos, que sentiu as primeiras contrações por volta das 16h30, quando o Corpo de Bombeiros foi acionado. Em pouco tempo, a equipe chegou até o local, mas Leandro já havia nascido. Por volta das 17h30, ele e a mãe já estavam na Maternidade Santa Izabel, onde permanciam internados até a noite de ontem e passavam bem.
Ainda eufórico e um pouco assustado, o pai, o ajudante de pedreiro Dino César Alves, 29 anos, conta que este foi o primeiro filho do casal que não nasceu dentro de um hospital. “Não deu tempo de nada. A minha sogra e a vizinha ajudaram minha mulher, que estava com medo e muito assustada. Mas, graças a Deus, deu tudo certo”, relembra.
O cabo Luciano Aparecido Lopes comenta que ocorrências como esta são raras na rotina de trabalho dos bombeiros, mas que todos estavam preparados para realizar os procedimentos necessários para que Leandro nascesse em segurança. “Nós fizemos um curso específico para agir diante de uma situação como essa, então estamos treinados. Mas foi um parto rápido e tranqüilo”, destaca.